Henkel adota caminhões a biometano na logística paulista

Cavalos mecânicos de transportadora contratada atendem rotas em São Paulo a partir de Jundiaí

Valeria Bursztein

A Henkel, multinacional alemã fabricante de adesivos e produtos de consumo, passou a utilizar três cavalos mecânicos a biometano no transporte de cargas em São Paulo, com abastecimento dentro de sua unidade de Jundiaí. A iniciativa amplia o uso do combustível renovável na operação da multinacional alemã, cuja fábrica no município já utiliza biometano desde abril de 2025.

Em resposta à Agência Transporte Moderno, a fabricante de adesivos e bens de consumo confirmou que os veículos pertencem a uma transportadora contratada e têm configuração 6×2. Os caminhões atendem rotas no Estado, com saídas de Jundiaí cinco vezes por semana.

Segundo informações divulgadas pela companhia, a autonomia é de até 600 quilômetros. O abastecimento leva aproximadamente 15 minutos e utiliza um sistema de alta pressão instalado na unidade. A estrutura permite abastecer os veículos na própria base de operação.

Da produção à distribuição

A adoção dos caminhões acrescenta uma frente logística ao uso do biometano em Jundiaí. Em comunicado divulgado em agosto de 2025, a Henkel informou que a fábrica havia sido a primeira de sua rede global a operar com o combustível, com fornecimento previsto de 1,8 milhão de metros cúbicos por ano. Esse volume se refere ao abastecimento industrial.

A empresa também já havia incorporado outra tecnologia à distribuição. Em dezembro de 2024, anunciou um caminhão elétrico com capacidade para transportar 30 toneladas e autonomia informada de até 200 quilômetros, destinado a entregas na Grande São Paulo e no interior paulista.

As iniciativas mostram a combinação de veículos elétricos e movidos a combustível renovável na logística da companhia. Os dados divulgados, porém, não permitem comparar o custo por quilômetro das duas tecnologias com o dos caminhões a diesel.

Potencial de substituição do diesel

O biometano é obtido pelo processamento do biogás, produzido a partir da decomposição de matéria orgânica. Sua utilização como combustível veicular abre uma alternativa ao consumo de combustíveis fósseis.

Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), divulgado em junho de 2025, estimou que o aproveitamento de resíduos agropecuários poderia gerar biometano economicamente viável para substituir cerca de um terço do consumo brasileiro de gasolina e diesel, sob as premissas adotadas na análise. O resultado representa um potencial de produção e substituição, não uma projeção de adoção pelas frotas.

No caso da Henkel, a operação reúne abastecimento na base e rotas estaduais definidas. A companhia não detalhou o custo operacional frente ao diesel nem identificou o fabricante dos três cavalos mecânicos.

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