A Cummins levará à Fenatran 2026 uma nova geração de motores e componentes voltados ao aumento da eficiência dos veículos comerciais. Entre os principais lançamentos está a evolução do motor F4.5, que passa de 210 para 240 cv, com ganho de 14% em potência e redução prevista de até 9% no consumo de combustível, dependendo da aplicação. A fabricante também apresentará o novo F3.0, de 200 cv, uma versão mais compacta do sistema de pós-tratamento Single Module e dois eixos destinados a caminhões pesados.
As novidades serão apresentadas durante a 25ª edição do evento, de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo. Os desenvolvimentos concentram-se no aumento do desempenho dos motores, na redução das perdas energéticas e na diminuição dos custos de manutenção, fatores que influenciam diretamente a competitividade dos veículos comerciais.
Adriano Rishi, presidente da Cummins Brasil e diretor-geral da unidade de motores, destacou que a adoção de novas tecnologias depende dos resultados obtidos nas operações. “Quando falamos sobre tecnologias, é menos sobre a tecnologia e é mais sobre o impacto que terão na operação”, afirmou. Segundo o executivo, produtividade, eficiência, confiabilidade e custo operacional continuam sendo os principais critérios de decisão dos clientes.
Motor F4.5 ganha 14% em potência
A nova geração do motor F4.5, de quatro cilindros, incorpora modificações nos sistemas de alimentação, injeção e gerenciamento eletrônico para elevar o desempenho sem ampliar a cilindrada de 4,5 litros. O conjunto passa a entregar 240 cv, ante os 210 cv da configuração anterior, enquanto a Cummins projeta redução de até 9% no consumo de combustível, dependendo das condições de aplicação.
O ganho de desempenho resulta da combinação de um turbocompressor wastegate de nova geração, sistema de injeção de maior capacidade e nova calibração voltada à potência e à eficiência energética. As alterações permitem aumentar a potência específica do motor, preservando suas dimensões e características de integração aos veículos comerciais.
A evolução do F4.5 é acompanhada pelo desenvolvimento de uma nova geração do sistema de pós-tratamento Single Module, que também atende à plataforma. Segundo a fabricante, o equipamento permite reduzir em 2% o consumo de ARLA 32, além de apresentar dimensões menores e peso 30% inferior ao da versão anterior.
Os ganhos anunciados em combustível e ARLA 32 têm impacto potencial sobre os custos de operação, especialmente em frotas de elevada quilometragem. A economia efetiva, no entanto, dependerá das condições de utilização dos veículos e da configuração adotada.
Novo F3.0 entrega 200 cv e 620 Nm
A Cummins ampliará sua gama de motores de quatro cilindros com o lançamento do F3.0, que entrega potência de até 200 cv a 2.900 rpm e torque máximo de 620 Nm a 1.700 rpm. O produto foi desenvolvido para aplicações que exigem desempenho elevado em um conjunto de menor cilindrada, incluindo veículos comerciais utilizados na distribuição urbana.
O projeto incorpora uma nova arquitetura de bloco e cabeçote, alterações no gerenciamento térmico e melhorias no processo de combustão. Também foram realizadas modificações no fluxo de gases e no sistema de injeção para otimizar o funcionamento do motor.
O F3.0 utiliza um sistema compacto de pós-tratamento desenvolvido pela Cummins, que reúne catalisador de oxidação de diesel (DOC), filtro de material particulado (DPF) e redução catalítica seletiva (SCR). O conjunto atende às exigências de controle de emissões do Proconve P8, equivalente ao padrão Euro VI.
A configuração amplia as opções de motorização para veículos que necessitam conciliar capacidade de carga, desempenho e consumo de combustível, especialmente em operações com elevado número de paradas e retomadas de velocidade.
Single Module fica 30% mais leve
Na área de controle de emissões, a Cummins apresentará a nova geração do sistema de pós-tratamento Single Module, desenvolvido para as plataformas F3.8 e F4.5.
O equipamento é 30% mais leve e 5% menor que a versão atualmente utilizada, com redução de aproximadamente 15 quilos no conjunto. Segundo a fabricante, as modificações também permitem diminuir em 2% o consumo de ARLA 32, agente utilizado no processo de redução das emissões de óxidos de nitrogênio.
Durante a apresentação, Daniel Malaman, gerente-geral da unidade de pós-tratamento da Cummins, explicou que o atendimento aos limites de emissões é apenas uma das exigências do desenvolvimento. Segundo ele, o sistema também precisa operar com eficiência para reduzir as perdas e os impactos sobre o consumo de diesel e Arla 32.
A evolução inclui mudanças na geometria do misturador, na eletrônica e nos sensores, além de maior integração com o gerenciamento do motor. As alterações buscam melhorar a eficiência do tratamento dos gases de escapamento sem comprometer o desempenho do veículo.
A arquitetura modular foi preservada, permitindo acesso individual aos componentes. Em determinadas intervenções, a manutenção pode ser realizada com a substituição de uma peça específica, sem necessidade de trocar todo o conjunto.
De acordo com a Cummins, o desenvolvimento envolveu mais de 7 mil horas de testes em dinamômetro e mais de 600 mil horas de validação na engenharia de veículos, incluindo avaliações em condições reais de operação.
Outra novidade é a ampliação da utilização da unidade dosadora UL2.2, tecnologia própria da fabricante para dosagem de ureia. Já aplicada nos motores B6.7 e L9, a solução passa a integrar também as plataformas F3.8 e F4.5.
O sistema utiliza o próprio fluido de ureia para refrigerar o injetor, dispensando parte dos componentes periféricos e das conexões com o circuito de arrefecimento do veículo. A simplificação reduz a complexidade de instalação e facilita a integração com diferentes plataformas.
A Cummins projeta participação potencial superior a 70% para sua tecnologia de dosagem no mercado brasileiro de veículos comerciais entre 2027 e 2028. A estimativa considera a expansão do fornecimento aos fabricantes instalados no país.
Novos eixos para caminhões de até 91 toneladas
Na divisão de componentes, a Cummins apresentará dois eixos desenvolvidos para atender às exigências de eficiência e capacidade de carga do transporte rodoviário brasileiro.
O MT-17XHE inaugura a plataforma High Efficiency e foi projetado para caminhões com configuração 6×4 e peso bruto total combinado (PBTC) de até 91 toneladas. O produto está na fase final de homologação e tem lançamento comercial previsto para julho de 2027.
Entre as principais modificações estão a otimização do sistema de lubrificação, a utilização de rolamentos de menor atrito e um novo conceito de offset, que busca reduzir as perdas mecânicas na transmissão de potência às rodas.
Em operações pesadas, essas perdas representam parte da energia produzida pelo motor que não é efetivamente aproveitada para movimentar o veículo. A redução do atrito e a melhoria da transmissão de torque podem contribuir para aumentar a eficiência do conjunto motriz.
A segunda novidade é o MS-18X HD, projetado no Brasil e produzido na unidade da Cummins em Osasco, na Grande São Paulo. Destinado a caminhões com configuração 6×2, o eixo suporta PBTC de até 58,5 toneladas, capacidade 11% superior à do MS-18X convencional.
O desenvolvimento foi motivado pelas exigências de capacidade de carga decorrentes da Resolução Contran nº 882. Para atender às novas condições de operação, a engenharia modificou componentes como coroa e pinhão, rolamento do pinhão, satélites e planetárias, ampliando a resistência e a durabilidade do conjunto.
Durante a apresentação, Kleber Assanti, diretor-geral da unidades de eixos da Cummins, destacou que a adaptação foi realizada pela engenharia nacional para atender a uma exigência específica do transporte brasileiro. “Foi trabalho cem por cento do laboratório brasileiro em cima de uma plataforma global”, afirmou.
A nova versão mantém a interface com a suspensão existente, permitindo sua aplicação sem alterações estruturais significativas na arquitetura do veículo. Essa característica facilita a integração do produto às plataformas já utilizadas pelos fabricantes de caminhões.
Motor a gás passa por validação no Brasil
Além dos lançamentos, a Cummins apresentará sua atuação em motores movidos a gás natural e biometano, com destaque para o B6.7N, que já possui aplicações comerciais no mercado brasileiro. O motor desenvolve 205 kW de potência a 2.300 rpm, aproximadamente 279 cv, e torque máximo de 1.100 Nm a 1.300 rpm. O conjunto também oferece freio-motor de 160 kW a 2.800 rpm.
A tecnologia atende ao Proconve P8/Euro VI e utiliza catalisador de três vias, dispensando o sistema de ARLA 32. A fabricante realiza testes de campo com gás natural e biometano para validar o desempenho nas condições brasileiras.
A estrutura de desenvolvimento será ampliada em Guarulhos, onde estão previstas duas salas de ensaio e um centro de capacitação voltados às tecnologias de gás.
Rishi avalia que a adoção desses motores deverá ocorrer inicialmente em operações específicas, sobretudo nas regiões com infraestrutura de abastecimento disponível. A coleta urbana de resíduos é uma das aplicações citadas pelo executivo, tanto pela possibilidade de utilização de biometano produzido em aterros quanto pela redução do ruído em comparação com motores a diesel.
Na avaliação da Cummins, a transição energética não deverá ocorrer por meio da substituição generalizada de uma tecnologia por outra. “Não existe uma solução única para todo mercado, para toda aplicação e para todos os clientes”, afirmou Rishi.
Remanufatura reduz custo de reposição
No segmento de pós-venda, a Cummins apresentará uma nova configuração de motor remanufaturado da linha ReCon, comercializada à base de troca. A solução permite reaproveitar componentes como cárter e tampa de válvulas, desde que atendam aos critérios técnicos estabelecidos pela fabricante.
Segundo a companhia, os testes realizados com motores usados indicaram índice de reaproveitamento de 99,9% desses componentes. A nova configuração proporciona redução de aproximadamente 20% no custo de aquisição do motor remanufaturado, mantendo garantia de 12 meses.
A empresa também apresentará a etiqueta de autenticação Scan Trust, lançada em agosto, que permite verificar a procedência das peças por meio de um smartphone. A ferramenta faz parte das medidas adotadas para combater a comercialização de componentes falsificados e ampliar a rastreabilidade dos produtos.
A oferta de remanufaturados atende especialmente às operações que buscam prolongar a vida útil dos veículos e reduzir os custos de manutenção, sem recorrer necessariamente à substituição por motores novos.
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