Mais da metade dos estabelecimentos emissores de Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) ainda não informa a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em todos os documentos fiscais. Segundo levantamento da Receita Federal, 55,14% dos 40.403 estabelecimentos analisados apresentaram preenchimento parcial ou ausência da informação, indicando que a adaptação dos sistemas à reforma tributária ainda está em andamento no transporte rodoviário de cargas.
De acordo com o painel da Receita, 17.139 estabelecimentos, equivalentes a 42,42% do total, informaram a CBS em apenas parte dos documentos emitidos. Outros 5.140, ou 12,72%, não destacaram o tributo em nenhum CT-e. Por outro lado, 18.124 estabelecimentos (44,86%) preencheram a informação em todos os documentos analisados.
O levantamento considera estabelecimentos não optantes pelo Simples Nacional e documentos emitidos nos 30 dias anteriores à atualização de 8 de outubro de 2026, com dados registrados até o dia 7 daquele mês.
A CBS e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) integram o novo sistema tributário brasileiro. Conforme o cronograma divulgado pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS, a inclusão das informações referentes aos novos tributos no CT-e passou a ser exigida em 3 de agosto de 2026 para as operações abrangidas. Para os contribuintes do Simples Nacional, a obrigatoriedade está prevista para 1º de janeiro de 2027.
Apesar da exigência, a ausência de determinadas informações sobre IBS e CBS ainda não provoca a rejeição automática do documento fiscal. A medida, segundo os órgãos responsáveis, não elimina a necessidade de adequação às regras de preenchimento.
Para Ulisses Brondi, CEO da ASIS Tax Tech, empresa especializada em tecnologia e gestão tributária, o período de transição deve ser utilizado pelas transportadoras para revisar os cadastros de serviços, os critérios de tributação e a integração entre os sistemas responsáveis pela emissão dos documentos fiscais.
“Este é o momento de testar se as informações de IBS e CBS estão chegando corretamente ao CT-e e de investigar as diferenças encontradas. Quanto mais cedo essas etapas forem verificadas, mais tempo a transportadora terá para ajustar seus processos ao novo modelo”, afirma Brondi.
A adequação tende a ser mais complexa nas transportadoras que administram grandes volumes de fretes ou operam em diferentes localidades, devido à necessidade de padronizar cadastros, integrar sistemas e revisar procedimentos fiscais entre as unidades.
Segundo o executivo, a conferência antecipada das informações pode reduzir inconsistências e permitir que as empresas identifiquem falhas antes do avanço das próximas etapas de implementação da reforma tributária.
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