A BYD estreia na Fenatran 2026, principal feira de transporte de carga da América Latina, que ocorrerá entre 9 e 13 de novembro, em São Paulo, com três lançamentos de caminhões elétricos e a estratégia de ampliar sua atuação no transporte de cargas brasileiro. A fabricante chinesa apresenta o eT35, primeiro caminhão da marca equipado com a bateria Blade, o novo eT75, voltado à distribuição urbana e regional, além configuração do eT23, que já é vendida no Brasil, desenvolvida para o transporte de bebidas.
“A participação marca um novo passo da empresa para expandir seu portfólio além das operações urbanas e avançar em segmentos de maior capacidade”, afirma Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD do Brasil, para a Agência Transporte Moderno.
A estratégia é conquistar espaço em diferentes aplicações, combinando a oferta de veículos com soluções de baterias, recarga e armazenamento de energia. A companhia, porém, ainda avalia oportunidades de produção local, importação e novos investimentos, sem confirmar anúncios adicionais nessas frentes.
Com Peso Bruto Total (PBT) de 3,5 toneladas, o BYD eT35 atende operações de distribuição urbana leve e entregas de última milha. O principal diferencial do modelo é a bateria Blade, tecnologia desenvolvida pela própria BYD e já utilizada em seus automóveis e ônibus elétricos.
O segundo lançamento é o eT75, com PBT de 7,49 toneladas. Projetado para operações urbanas e regionais, o modelo terá duas opções de entre-eixos, permitindo adaptar o veículo a diferentes necessidades logísticas.
No segmento de maior capacidade, a fabricante apresenta uma configuração especial do eT23 para o transporte de bebidas. O modelo tem PBT legal de 16 toneladas e capacidade técnica de até 23 toneladas. A configuração foi desenvolvida em parceria com uma empresa mexicana e adaptada ao mercado brasileiro. Entre as características está a longarina rebaixada, solução destinada a atender às particularidades desse tipo de carga.
A linha de veículos comerciais da BYD inclui ainda o eT18, voltado à distribuição pesada e a operações dedicadas, além do projeto M025, destinado ao transporte rodoviário pesado, com capacidade de até 60 toneladas.
“Queremos mostrar que os caminhões elétricos já podem responder a diferentes necessidades do transporte de cargas e que a BYD tem tecnologia e experiência para contribuir com essa transformação”, diz Schneider.



Caminhão de 60 toneladas está no radar
A entrada no segmento de caminhões pesados é uma das frentes de expansão da BYD no Brasil. Em reportagem publicada em agosto, a Transporte Moderno antecipou que a fabricante preparava um cavalo mecânico elétrico de 60 toneladas de PBT (imagem abaixo) para o mercado brasileiro. Na ocasião, a empresa trabalhava para levar o veículo à Fenatran, mas a apresentação ainda dependia do cronograma de desenvolvimento.
Até o fechamento desta reportagem, a BYD não havia confirmado a apresentação desse modelo na feira. Na entrevista à Transporte Moderno, Schneider informou que a companhia realiza testes com um cavalo mecânico elétrico em Camaçari, mas não confirmou que o veículo de 60 toneladas estaria entre os modelos expostos.

A BYD também trabalha no desenvolvimento de um cavalo mecânico elétrico para o mercado brasileiro, com testes realizados em seu complexo industrial de Camaçari (BA).
“Estamos ampliando nosso portfólio para atender diferentes necessidades da logística, desde as entregas de última milha até operações regionais e de transporte pesado”, diz. O projeto integra a estratégia de ampliar a atuação da marca em um segmento que exige maior capacidade de carga e planejamento operacional mais complexo. A fabricante busca reunir dados em condições reais para desenvolver soluções adequadas às características do transporte brasileiro.
A evolução para o mercado de pesados também representa uma oportunidade comercial. Para ampliar sua presença no setor, a BYD precisará atender às exigências das transportadoras em relação à autonomia, à disponibilidade dos veículos, à infraestrutura de recarga e ao custo total de operação.
Custo e produtividade orientam a expansão
A BYD aposta no desenvolvimento integrado de veículos, baterias, carregadores e soluções de armazenamento de energia para ampliar a competitividade dos caminhões elétricos. A proposta é considerar as necessidades da operação como um todo, e não apenas as características do veículo.
“Para nós, a eletrificação precisa fazer sentido também na ponta do lápis. Reduzir emissões é fundamental, mas o transportador também precisa de produtividade, previsibilidade e custos competitivos. É essa combinação que vai determinar a velocidade de adoção dos caminhões elétricos no país”, afirma Schneider.
A fabricante identifica oportunidades em operações com trajetos conhecidos, quilometragem previsível e possibilidade de planejamento das recargas. Essas características favorecem a distribuição urbana e regional, segmentos considerados prioritários pela companhia.
A coleta de resíduos também é apontada como uma aplicação com potencial para a eletrificação. Além de eliminar as emissões de escapamento, os caminhões elétricos operam com menos ruído, o que pode beneficiar serviços noturnos e operações em áreas residenciais. A ampliação para aplicações mais exigentes, entretanto, depende de soluções adequadas a cada perfil de transporte.
A expansão dos caminhões elétricos também exige uma estrutura de atendimento capaz de garantir a continuidade das operações. Para os transportadores, a indisponibilidade de um veículo pode comprometer entregas e elevar os custos.
“Para quem trabalha com transporte de cargas, caminhão parado significa prejuízo. Por isso, sabemos que a eletrificação só vai ganhar escala no Brasil se vier acompanhada de uma estrutura capaz de garantir a disponibilidade dos veículos e a continuidade das operações”, afirma Schneider.
O executivo destaca que o planejamento deve considerar as distâncias percorridas, o tipo de carga e os períodos disponíveis para recarga. Essas variáveis influenciam a produtividade e o custo total de operação.
A BYD afirma que o fortalecimento da estrutura de atendimento, manutenção e suporte acompanhará a expansão de sua presença no mercado brasileiro de veículos comerciais. A empresa, porém, ainda não confirmou novidades específicas sobre a ampliação da rede de concessionárias ou da infraestrutura de recarga.
Novos investimentos seguem em avaliação
O Brasil tem papel estratégico nos planos da BYD para veículos comerciais. A empresa está presente no país desde 2015 e utiliza o complexo industrial de Camaçari, na Bahia, para testes e coleta de dados relacionados ao desenvolvimento de soluções para o transporte pesado.
Apesar da ampliação do portfólio apresentada na Fenatran, a fabricante não confirmou novos investimentos, mudanças na estratégia de importação ou planos adicionais de produção local para caminhões.
“Em relação à produção local, importação e novos investimentos, seguimos avaliando as oportunidades de acordo com a demanda e a evolução do mercado. Ainda não temos anúncios adicionais confirmados nessas frentes”, afirma Schneider.
A estratégia da BYD é avançar para novas aplicações e ampliar sua presença no mercado brasileiro de caminhões elétricos. Os lançamentos apresentados na Fenatran ampliam as opções para diferentes operações logísticas, enquanto o desenvolvimento do cavalo mecânico elétrico sinaliza a intenção de disputar também o segmento pesado.
O avanço comercial, contudo, dependerá da capacidade de combinar tecnologia, infraestrutura, suporte técnico e custos competitivos para os transportadores.
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