A reconfiguração das exportações brasileiras de móveis começa a se refletir também nos investimentos em logística. A Madesa, fabricante gaúcha que atua em mais de dez países, investiu R$ 55 milhões em um novo Centro de Distribuição em Bom Princípio (RS), triplicando sua capacidade de armazenagem. A companhia prevê que o mercado externo represente 40% de suas vendas até 2030.
O mercado externo, no entanto, ficou mais desafiador para a indústria moveleira brasileira em 2026. De janeiro a julho, as exportações de móveis e colchões somaram US$ 411,7 milhões, 7,5% menos que no mesmo período de 2025, segundo levantamento do IEMI com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel).
A queda foi fortemente influenciada pelos Estados Unidos. Os embarques brasileiros para o país recuaram 41,3%, de US$ 122,3 milhões para US$ 71,8 milhões. Sem considerar o mercado americano, porém, as exportações do setor cresceram 5,3%, com avanço de destinos como Uruguai, Argentina, Peru e Paraguai.
Esse redesenho dos mercados externos dá outra dimensão à estratégia da Madesa. A fabricante, que já vende para mais de dez países, pretende fazer com que as exportações representem 40% de suas vendas até 2030 e está ampliando a estrutura logística para sustentar esse crescimento.
Capacidade de armazenagem triplica
É nesse cenário que a Madesa prepara sua estrutura para ampliar a presença internacional. A fabricante investiu R$ 51 milhões na implantação do Centro de Distribuição e outros R$ 4 milhões na ampliação da estrutura cerca de um ano após a inauguração.
Com 31 mil m² e operação plena em 2026, o CD centraliza armazenagem, separação e expedição de pedidos para o mercado brasileiro e para o exterior. Segundo a empresa, a nova estrutura triplicou a capacidade de armazenagem em relação à operação anterior.
A Madesa não informou qual é atualmente a participação das exportações em suas vendas, mas estima que o mercado externo alcance 40% até 2030. A companhia encerrou 2025 com faturamento superior a R$ 1 bilhão.
“Essa nova estrutura ampliou a capacidade operacional da empresa, reduziu movimentações internas e criou as condições necessárias para sustentar o crescimento da empresa nos próximos anos”, afirma Pedro Cini, CEO da Madesa.
O investimento ocorre no Rio Grande do Sul, segundo maior produtor de móveis do país. O estado possui cerca de 2,4 mil indústrias moveleiras e faturou R$ 13,65 bilhões em 2024, segundo dados reunidos pela Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs).
Operação atende cargas de elevada cubagem
O centro de distribuição foi dimensionado para uma operação caracterizada por produtos de elevada cubagem e embalagens de diferentes tamanhos. A movimentação é mecanizada e utiliza empilhadeiras e transpaleteiras elétricas.
A centralização de estoque, separação e expedição em uma mesma estrutura busca reduzir deslocamentos internos e diminuir o intervalo entre o processamento dos pedidos e a saída das mercadorias.
O empreendimento também conta com isolamento térmico, dispositivos para redução do consumo de água, pavimentação permeável e central para separação dos resíduos gerados na operação.
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