Reforma Tributária exige ajustes nos sistemas das transportadoras

Alterações alcançam documentos fiscais, formação do frete, contratos e aproveitamento de créditos

Redação

A transição para o novo sistema tributário já começa a pressionar a operação tecnológica das transportadoras. Levantamento da Vilesoft, fornecedora de sistemas para o setor, mostra que o tempo dedicado a demandas relacionadas às operações de transporte passou de 39,8 horas em maio para 162,7 horas em junho de 2026.

No mesmo intervalo, os chamados envolvendo o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) cresceram 183,3%, enquanto aqueles relacionados ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) avançaram 119%.

A empresa ressalva que o aumento não pode ser atribuído exclusivamente à Reforma Tributária. Junho também concentrou outras mudanças regulatórias, entre elas a ampliação da obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e novas regras estaduais para CT-e e MDF-e em Minas Gerais.

As principais dúvidas envolvem a base de cálculo do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), a parametrização dos novos tributos e o preenchimento dos documentos fiscais. As adequações também alcançam leiautes, campos, validações, cadastros e integrações entre sistemas.

“A adequação dos documentos fiscais não se resume à emissão. Os sistemas precisam tratar as novas informações tributárias, realizar os cálculos correspondentes e manter a consistência dos dados ao longo de toda a cadeia”, afirma Flávio Henrique Fonseca de Andrade, diretor de tecnologia da Vilesoft.

Efeito sobre preços e contratos

A mudança deverá afetar também a formação do preço do frete. O impacto dependerá de fatores como o regime tributário da transportadora, o perfil dos clientes, o tipo de operação, a composição dos custos e a possibilidade de aproveitamento de créditos.

“A formação do preço do frete não pode considerar apenas o valor histórico praticado. Será necessário entender como a nova estrutura de créditos e débitos tributários altera o resultado efetivo de cada operação”, diz Roger Maia, fundador e CEO da empresa.

A nova sistemática poderá levar ainda à revisão de contratos entre transportadoras e embarcadores, especialmente nos critérios de composição dos preços, na distribuição de responsabilidades e no tratamento dos créditos tributários.

Segundo a Vilesoft, erros de cadastro ou parametrização podem comprometer a emissão do CT-e e do MDF-e e repercutir posteriormente na escrituração e na apuração dos tributos. A recomendação é que as empresas avancem ainda em 2026 na atualização e nos testes dos sistemas, na revisão de dados e processos e na simulação dos efeitos sobre custos, margens e preços.

A preparação ganha importância diante da entrada efetiva da CBS em 2027 e da extinção de PIS e Cofins. “O maior risco é transformar uma mudança planejada em uma emergência operacional”, afirma Maia.

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