Após encerrar entregas nacionais, FedEx investe R$ 75 milhões

Companhia muda foco no Brasil, abre 34 unidades e amplia operações internacionais, armazenagem e entregas críticas

Valeria Bursztein

Poucos meses depois de anunciar o encerramento dos serviços regulares de transporte doméstico no Brasil, a FedEx vai investir mais de R$ 75 milhões na expansão de sua estrutura no país. O plano contempla 34 novas unidades, a ampliação de dois centros logísticos e a integração das operações internacionais com serviços de supply chain e entregas especializadas.

O aporte reforça a mudança de posicionamento da companhia no mercado brasileiro. No início de 2026, a FedEx informou aos clientes que deixaria de realizar, a partir de fevereiro, o transporte convencional de encomendas entre cidades do país. Foram mantidas as remessas internacionais e as operações logísticas contratadas por empresas.

O investimento anunciado agora não representa, portanto, a retomada das entregas domésticas tradicionais. A expansão será direcionada a armazenagem, gestão de estoques, desembaraço aduaneiro, logística de peças de reposição e distribuição de última milha vinculada a contratos corporativos.

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Disputa muda de terreno

Com a saída do transporte doméstico convencional, a FedEx deixou de disputar diretamente parte do mercado atendido por Correios, Jadlog, Total Express e transportadoras regionais, além das redes próprias de entrega construídas por grandes plataformas de comércio eletrônico.

A concorrência passa a se concentrar nos serviços internacionais e na logística integrada para empresas. Nesse segmento, a companhia enfrenta grupos globais como DHL e UPS, além de operadores logísticos com atuação em armazenagem, gestão de estoques, distribuição e comércio exterior.

O investimento em centros multifuncionais, estoques avançados e peças de reposição indica que a estratégia brasileira está menos voltada à entrega pulverizada de encomendas e mais à gestão de operações corporativas complexas, nas quais prazo, integração internacional e disponibilidade de componentes têm maior peso.

Novas unidades chegam a sete cidades

As instalações funcionarão como centros multifuncionais, reunindo coleta e entrega de remessas internacionais, estoques avançados e distribuição de equipamentos de ponto de venda, como terminais de pagamento, além de peças e encomendas consideradas críticas.

Até o fim de setembro, a empresa pretende abrir unidades em Curitiba (PR), Itabuna (BA), João Pessoa (PB), Ribeirão Preto (SP), Aracaju (SE), Goiânia (GO) e Rio de Janeiro (RJ).

O projeto já inclui instalações inauguradas no Pacaembu, na capital paulista, e em São Luís (MA), São José dos Campos (SP), Londrina (PR), Joinville (SC), Florianópolis (SC), Campinas (SP) e Pouso Alegre (MG), entre outras localidades.

A FedEx não detalhou quantas das 34 unidades já estão em funcionamento, quando todo o plano será concluído nem se todas serão incorporadas às cerca de 50 filiais que a companhia informa manter atualmente no Brasil.

“Os investimentos reforçam nosso compromisso com a operação da companhia no Brasil e com uma estratégia de crescimento de longo prazo voltada ao fortalecimento dos nossos serviços”, afirmou em nota Camila Lima, vice-presidente de Operações da FedEx no Brasil.

Cajamar ganha 35 mil posições-palete

Uma das principais ampliações ocorrerá em Cajamar, na Grande São Paulo. A capacidade do centro logístico passará de 55 mil para 90 mil posições-palete, crescimento de aproximadamente 64%. Além da expansão física, a unidade receberá investimentos em infraestrutura, modernização tecnológica, automação e classificação de mercadorias. A empresa não informou quanto do aporte total será destinado ao empreendimento nem o prazo de conclusão das obras.

Em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, o armazém será ampliado de 16 mil para 26 mil metros quadrados, avanço de 62,5%. A instalação também passará por modernizações para alcançar o padrão Triple A, classificação atribuída a galpões com especificações mais elevadas de infraestrutura, segurança e eficiência operacional.

A expansão da unidade pernambucana será acompanhada pela abertura de instalações em outras cidades do Nordeste, como Itabuna, João Pessoa, Aracaju e São Luís.

Operação dedicada para peças de reposição

A FedEx também reformulou o portfólio de supply chain para oferecer soluções modulares, cobrindo etapas que vão do acompanhamento de fornecedores e do frete internacional ao desembaraço aduaneiro, armazenagem e preparação dos produtos para distribuição no mercado brasileiro.

Uma das novidades será destinada a empresas que trabalham com peças de reposição. Nesse modelo, a companhia acompanhará os prazos de produção, fará o transporte internacional e o desembaraço aduaneiro e manterá os itens armazenados no Brasil até a entrega ao cliente.

A operação utiliza estoques avançados para posicionar componentes mais perto dos locais de consumo. A estratégia permite reduzir o tempo de atendimento em situações nas quais a indisponibilidade de uma peça pode interromper máquinas, equipamentos, sistemas comerciais ou linhas de produção.

De acordo com informações divulgadas pela FedEx, a empresa continuará realizando determinadas entregas domésticas de última milha, como a distribuição de equipamentos de ponto de venda e peças críticas. Esses serviços, no entanto, estarão vinculados a operações corporativas e não equivalem ao transporte convencional de encomendas entre quaisquer origens e destinos, encerrado pela companhia.

Conexões internacionais

No transporte internacional, a FedEx mantém quatro voos semanais com aeronaves Boeing 767-300 entre o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, e seu hub global em Memphis, nos Estados Unidos.

A operação é complementada por mais de 60 saídas internacionais semanais, realizadas por meio de acordos com outras companhias aéreas, a partir dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos. A rede inclui ainda transporte rodoviário internacional para Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.

Segundo a FedEx, sua estrutura brasileira atende aproximadamente 500 cidades e reúne cerca de 50 filiais, entre centros logísticos, estações internacionais e FedEx Ship Centers. A companhia também informa manter 150 bases destinadas a operações com equipamentos de ponto de venda e entregas críticas, além de mais de 320 centros autorizados para remessas internacionais.

A empresa não divulga separadamente o volume movimentado, a receita ou o resultado de sua operação no Brasil. Em escala global, a FedEx registrou receita próxima de US$ 88 bilhões e lucro líquido de US$ 4,1 bilhões no exercício fiscal de 2025. Naquele período, o grupo transportava cerca de 16 milhões de encomendas por dia útil. Os resultados ainda incluíam a FedEx Freight, operação rodoviária de cargas fracionadas separada do grupo em junho de 2026.

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