Navios podem reduzir consumo de energia em 16% até 2030, aponta DNV

Ganhos de eficiência e redução da velocidade podem economizar 40 milhões de toneladas de combustível por ano e reduzir emissões em 120 milhões de toneladas de CO₂ equivalente

Aline Feltrin

A frota marítima mundial pode reduzir em até 16% o consumo de energia até 2030 com medidas de eficiência energética e redução da velocidade dos navios, segundo a edição de 2026 do relatório Maritime Forecast to 2050, da Det Norske Veritas (DNV),uma das principais sociedades classificadoras de navios do mundo. A estimativa considera um cenário em que essas medidas são adotadas em comparação com a manutenção das condições atuais.

A projeção representa uma economia de aproximadamente 40 milhões de toneladas de combustível por ano e uma redução de 120 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Considerando um preço de US$ 580 por tonelada de combustível, a DNV estima que a menor demanda poderia representar uma economia anual de cerca de US$ 23 bilhões.

As informações foram divulgadas pelo site especializado MundoMaritimo, que acompanhou os principais dados da nova edição do estudo. Além de 2030, a DNV projeta que os ganhos de eficiência podem levar a uma redução de 25% a 28% no consumo energético do transporte marítimo até 2050.

Eficiência ganha espaço na transição energética

A melhora da eficiência dos navios aparece como uma das alternativas de curto prazo para reduzir o consumo de combustíveis enquanto a indústria marítima enfrenta incertezas sobre a disponibilidade e o custo de combustíveis de menor emissão.

A frota capaz de operar com combustíveis alternativos vem crescendo. Segundo a DNV, a capacidade desses navios passou de 0,4% da frota mundial em 2020 para 5,2% em agosto de 2026. O número de embarcações com essa característica subiu de 213 para 1.329 no período, sem considerar os navios-tanque movidos a GNL.

O movimento, porém, não ocorre no mesmo ritmo entre as novas encomendas. Em agosto de 2026, 39,4% da capacidade dos navios no livro de pedidos estava preparada para utilizar combustíveis alternativos. Um ano antes, essa participação era de 49,5%.

Para a DNV, a redução está relacionada, entre outros fatores, à incerteza regulatória e à mudança na composição das encomendas, com maior participação de navios-tanque e graneleiros.

Entre os principais segmentos analisados, os navios destinados ao transporte de veículos estão entre os que apresentam maior participação de embarcações preparadas para combustíveis alternativos. De uma frota de aproximadamente 940 car carriers em operação, 149 podem utilizar GNL e três estão preparados para metanol. Entre as encomendas, há ainda 109 navios preparados para GNL, 15 para metanol e quatro para amônia. A DNV relaciona o movimento às exigências da indústria automotiva para reduzir as emissões de suas cadeias logísticas.

Oferta de combustíveis é desafio

A disponibilidade de combustíveis de baixa emissão continua sendo um dos principais obstáculos para a transição energética do transporte marítimo. A DNV estima um potencial teórico de produção de até 270 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtoe) de combustíveis de baixa emissão em 2030. A produção efetiva, porém, deverá ser menor, devido a projetos que ainda não chegaram à decisão final de investimento e ao risco de atrasos ou cancelamentos.

Desse potencial, cerca de 62 Mtoe poderiam apresentar custos de abatimento competitivos em relação ao preço de referência de US$ 380 por tonelada de CO₂ equivalente considerado inicialmente no mecanismo de emissões da Organização Marítima Internacional (IMO).

A demanda do transporte marítimo por esses combustíveis também apresenta grande variação conforme o cenário regulatório. Para 2030, a DNV estima uma necessidade entre 4 Mtoe e 22 Mtoe. Em 2050, o intervalo aumenta para entre 33 Mtoe e 185 Mtoe.

Disputa por combustíveis deve aumentar

Outro desafio é que o transporte marítimo não será o único setor a disputar combustíveis de baixa emissão. Segundo a DNV, em um cenário de transição energética ordenada, a demanda desses combustíveis por setores não marítimos pode chegar a aproximadamente 830 Mtoe em 2040 e 1,3 bilhão de toneladas equivalentes de petróleo em 2050.

Em uma trajetória de emissões líquidas zero, esses volumes poderiam alcançar 1,6 bilhão de Mtoe em 2040 e 2,1 bilhões de Mtoe em 2050. Nesse cenário, a eficiência energética ganha importância não apenas como ferramenta de redução de emissões, mas também como forma de diminuir a pressão sobre a oferta futura de combustíveis.

A DNV também não prevê a formação de um preço único mundial para os chamados combustíveis verdes. Os valores devem continuar variando entre regiões de acordo com o tipo de combustível, disponibilidade de matérias-primas, custo da eletricidade, infraestrutura e condições locais de produção.

A combinação entre eficiência dos navios, velocidade operacional, disponibilidade de combustíveis e infraestrutura deverá, portanto, definir o ritmo da transição energética do transporte marítimo nas próximas décadas.

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