Scania vai chegar a 750 caminhões a gás vendidos no Brasil em 2026

Montadora já vendeu as 500 unidades previstas inicialmente e tem mais 250 caminhões na carteira; resultado contrasta com queda de 33,3% nos emplacamentos de modelos a gás no mercado brasileiro até julho

Aline Feltrin

A Scania prevê vender 750 caminhões movidos a gás no Brasil em 2026, acima da meta estabelecida inicialmente pela montadora, de 500 unidades. Segundo a fabricante, o objetivo original já foi alcançado e outros 250 veículos estão na carteira, com parte das entregas programada para o segundo semestre.

A previsão ocorre em um momento de retração dos emplacamentos de caminhões a gás no mercado brasileiro. De janeiro a julho, foram registradas 338 unidades, contra 507 no mesmo período de 2025, queda de 33,3%, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) analisados pela Agência Transporte Moderno.

A Scania mantém posição de liderança no mercado brasileiro de caminhões a gás. Embora outras fabricantes já comercializem modelos com essa tecnologia no país, os volumes dessas marcas ainda são bastante inferiores aos da Scania, que se consolidou como a principal fornecedora de caminhões a gás no mercado nacional.

A diferença entre a previsão de vendas da Scania e os números de emplacamentos está relacionada ao ciclo de produção e entrega dos veículos. Parte dos caminhões que compõem a carteira da montadora ainda será produzida e entregue nos próximos meses.

Um dos principais negócios da Scania no segmento de veículos a gás neste ano é o projeto da TransJordano, que prevê a incorporação de 100 caminhões movidos a biometano à frota. As primeiras unidades começam a ser entregues em agosto, em lotes sucessivos até dezembro.

Os veículos são Scania 6×4 e serão utilizados em rodotrens de nove eixos, com capacidade de até 74 toneladas. O projeto é financiado pelo Fundo Clima, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e faz parte da estratégia da transportadora para reduzir as emissões da operação.

Segundo o fundador da TransJordano, João Bessa, o biometano pode reduzir em até 95% as emissões de CO₂ em comparação com o diesel. A empresa estima ainda redução média de 12% no consumo e ganho de aproximadamente 10% no custo operacional, embora o combustível ainda apresente preço entre 10% e 15% superior ao diesel.

Para viabilizar a operação, a TransJordano estruturou um corredor de abastecimento entre Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, no Estado de São Paulo, com três pontos próprios. A infraestrutura poderá também ser compartilhada com outras transportadoras por meio da Garage Log, empresa do grupo.

A encomenda da TransJordano faz parte da carteira que sustenta a previsão da Scania de chegar a 750 caminhões a gás vendidos no Brasil em 2026.

Pedidos de gás ainda não chegaram às estatísticas

A Scania trabalha com produção sob encomenda, o que cria um intervalo entre a venda e o registro do caminhão. Os veículos são fabricados de acordo com a configuração definida pelo cliente e, depois da produção, ainda passam pelas etapas de entrega e emplacamento.

Por isso, os números de vendas da montadora podem estar à frente dos registros oficiais do mercado. Segundo a Scania, há pedidos já contratados que ainda entrarão em produção e serão entregues ao longo do segundo semestre. Parte dos veículos que chegarem aos clientes no fim do ano poderá, inclusive, ser emplacada somente em 2027.

A previsão da Scania contrasta com o comportamento dos emplacamentos de caminhões de baixa emissão no mercado brasileiro. De acordo com análise da Agência Transporte Moderno a partir dos dados da Anfavea, os caminhões elétricos tiveram crescimento de 27,2% entre janeiro e julho, passando de 672 unidades em 2025 para 855 neste ano.

Os caminhões a gás, por outro lado, recuaram de 507 para 338 unidades no mesmo período, queda de 33,3%.

Quando as duas tecnologias são consideradas conjuntamente, o crescimento é de apenas 1,2%. Foram 1.193 caminhões elétricos e a gás emplacados nos primeiros sete meses de 2026, contra 1.179 no mesmo período do ano passado.

O resultado mostra que o mercado de caminhões de menor emissão ainda cresce pouco e passa, principalmente, por uma mudança de composição. O avanço dos elétricos vem compensando a perda de espaço dos veículos a gás.

O comportamento de julho reforçou essa tendência. Os emplacamentos de caminhões elétricos ficaram praticamente estáveis, com 102 unidades, contra 101 em julho de 2025. Já os caminhões a gás despencaram de 152 para 28 unidades, retração de 81,6%.

Com isso, elétricos e modelos a gás somaram 130 emplacamentos em julho, contra 253 um ano antes, queda de 48,6%.

O resultado reforça a diferença entre o ritmo de vendas das montadoras e o comportamento dos registros. No caso da Scania, a empresa afirma que possui pedidos já contratados que ainda serão produzidos e entregues no segundo semestre.

Elétricos ganham espaço enquanto gás recua

A retração dos caminhões a gás também aparece na participação da tecnologia no mercado. Entre janeiro e julho, os modelos a gás representaram aproximadamente 0,46% dos emplacamentos de caminhões, ante 0,65% no mesmo período de 2025. Os elétricos, em sentido contrário, elevaram sua participação de aproximadamente 0,86% para 1,17%.

Somadas, as duas tecnologias responderam por cerca de 1,63% dos emplacamentos de caminhões nos sete primeiros meses de 2026, contra 1,51% um ano antes.

A participação ainda é pequena diante do mercado total de caminhões, mas os números mostram uma mudança dentro do segmento de tecnologias alternativas ao diesel. Enquanto os elétricos ampliam sua participação, os modelos a gás perdem espaço.

A retração dos modelos a gás chegou a 169 unidades no acumulado do ano e foi agravada pelo resultado de julho, quando os registros caíram de 152 para apenas 28 veículos.

A fotografia dos emplacamentos, portanto, é diferente da carteira informada pela Scania. Enquanto os registros nacionais apontam retração dos caminhões a gás, a fabricante afirma que já superou sua meta inicial de vendas e tem outros 250 veículos na carteira.

O segundo semestre será decisivo para mostrar quanto dos 750 caminhões a gás que a Scania prevê vender em 2026 será entregue e emplacado ainda neste ano e quanto ficará para os registros de 2027.

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