Embraer prepara novas linhas do KC-390 para produzir mais de 10 aviões por ano

Fabricante avalia uma linha de montagem fora do Brasil e outra nos Estados Unidos; Índia pode abrir mercado para até 80 aeronaves de transporte militar

Aline Feltrin

A Embraer prepara uma expansão da capacidade de produção do KC-390 Millennium para além das atuais instalações no Brasil e avalia a criação de novas linhas de montagem fora do país. A fabricante trabalha em uma oportunidade que poderá viabilizar uma nova linha de produção no exterior e analisa outra possibilidade nos Estados Unidos. Se os projetos avançarem, a empresa poderá elevar a produção do cargueiro militar para mais de dez unidades por ano.

A informação foi revelada pela direção da Embraer durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre. Questionado sobre a possibilidade de a companhia produzir mais de dez KC-390 por ano em 2030, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que a empresa está trabalhando em uma oportunidade que permitiria implementar uma nova linha de montagem fora do Brasil.

Segundo ele, há ainda uma segunda oportunidade nos Estados Unidos. Dependendo do tamanho do pedido, o projeto poderá resultar em uma terceira linha de montagem do KC-390 e elevar ainda mais a capacidade de produção do cargueiro.

A companhia não revelou os países envolvidos na primeira negociação nem o potencial número de aeronaves. No caso dos Estados Unidos, também não informou qual cliente ou programa está sendo considerado.

Índia pode abrir mercado para até 80 aeronaves

Uma das frentes mais relevantes para o crescimento internacional do KC-390 está na Índia. A Embraer informou que trabalha em uma oportunidade para fornecer entre 60 e 80 aeronaves de transporte médio à Força Aérea Indiana.

A companhia já assinou um memorando de entendimento com uma parceira local e aguarda a apresentação da solicitação formal da Força Aérea da Índia para definir a estratégia de localização da produção.

A Índia é estratégica para a Embraer não apenas pelo potencial de vendas, mas também porque pode servir de plataforma para ampliar a produção fora do Brasil. Segundo Gomes Neto, a empresa considera o KC-390 adequado para a necessidade indiana e trabalha para avançar na oportunidade assim que a Força Aérea do país apresentar os requisitos formais do programa.

A Embraer também trabalha para aproveitar o mercado indiano na aviação comercial. A companhia negocia com o grupo Adani uma estratégia para introduzir os jatos E1 e E2 no país, em linha com a política indiana de incentivo à produção local, conhecida como Make in India.

Estados Unidos entram no plano de expansão

Os Estados Unidos aparecem como outra possibilidade para ampliar a capacidade industrial do KC-390.

A Embraer informou que está avaliando uma oportunidade no país que, caso avance e envolva um pedido de tamanho suficiente, poderá justificar uma nova linha de montagem.

A direção da empresa não forneceu detalhes sobre o potencial cliente ou o volume de aeronaves envolvido na negociação. A possibilidade é estratégica porque permitiria à Embraer aproximar a produção do mercado consumidor e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade global do programa.

A companhia já afirmou que a estratégia para o KC-390 não está limitada à produção brasileira. O objetivo é acompanhar o crescimento da carteira de pedidos e criar capacidade adicional conforme novos contratos forem conquistados.

Produção brasileira também vai crescer

Mesmo com a possibilidade de novas linhas no exterior, a Embraer prevê aumento da produção do KC-390 no Brasil. A companhia espera chegar a 2030 com capacidade para produzir mais de dez KC-390 por ano no país.

O aumento faz parte de um plano maior de expansão da capacidade industrial. Até o fim da década, a Embraer pretende alcançar capacidade anual de 110 a 120 aeronaves comerciais e mais de 200 jatos executivos, além dos cargueiros militares.

A empresa combina investimentos em capacidade com ganhos de produtividade para atender ao crescimento da carteira de pedidos.

Praetor mostra ganho de produtividade

A direção da Embraer afirma que o aumento da produção não dependerá apenas de novas fábricas. Um dos principais exemplos de ganho de eficiência está na produção dos jatos executivos Praetor. Em 2021, a empresa levava cerca de 18 meses para produzir uma aeronave. Atualmente, o mesmo processo leva aproximadamente 8,5 meses.

A redução do ciclo permite fabricar mais aeronaves utilizando a estrutura industrial existente. “Não vai ser a capacidade de produção que vai limitar o nosso crescimento futuro”, afirmou a direção da Embraer.

A estratégia combina, portanto, dois movimentos: elevar a produtividade das fábricas existentes e investir em novas linhas à medida que o crescimento da demanda justificar a expansão.

Carteira de pedidos bate recorde

A decisão de ampliar a capacidade ocorre em um momento de forte crescimento da carteira de pedidos da Embraer. O backlog atingiu US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado e novo recorde para a companhia.

Na defesa, o KC-390 vem ampliando a presença internacional. A Colômbia tornou-se recentemente o 13º país a selecionar o cargueiro, reforçando a expansão do programa. A Embraer também citou oportunidades em Portugal e em outros mercados que ainda não podem ser divulgados.

Segundo Gomes Neto, o ambiente geopolítico tem levado países a acelerar investimentos em defesa, movimento que vem favorecendo as campanhas comerciais da companhia.

Colômbia amplia mercado do KC-390

A entrada da Colômbia no programa ocorreu no início do terceiro trimestre e foi citada pela Embraer como um dos sinais de continuidade da demanda pelo cargueiro. O país se tornou o 13º a selecionar o KC-390, ampliando a presença da aeronave fora do Brasil e da Europa.

A empresa também vê potencial para novos contratos à medida que os países modernizam suas frotas de transporte militar. Esse movimento é particularmente importante para a estratégia industrial porque o aumento da carteira cria escala para justificar investimentos adicionais em capacidade.

Defesa deve crescer sem ganhar participação na receita

Apesar do avanço do KC-390, a Embraer não espera que Defesa & Segurança aumente significativamente sua participação na receita consolidada. A divisão representa atualmente cerca de 14% do faturamento. Segundo a companhia, essa proporção deve permanecer entre 12% e 15% até 2030.

A expectativa é de crescimento da receita em dólares, mas também de aumento da rentabilidade. No segundo trimestre, a receita de Defesa & Segurança cresceu 38%, para US$ 304 milhões, enquanto o EBIT ajustado chegou a US$ 36 milhões, com margem de 11,9%.

O maior reconhecimento de receita do KC-390 e a alavancagem operacional foram os principais fatores para o desempenho.

Produção acompanha expansão internacional

A expansão do KC-390 mostra que a Embraer começa a preparar sua estrutura industrial para um programa com presença global.

A empresa ainda não fechou os contratos que justificariam todas as novas linhas mencionadas na coletiva. Mas a existência de negociações em diferentes mercados indica que a fabricante já avalia a capacidade industrial necessária para acompanhar uma eventual expansão da carteira.

Se as oportunidades em negociação avançarem, a Embraer poderá combinar mais de dez aeronaves produzidas por ano no Brasil com linhas adicionais no exterior, ampliando a capacidade global do cargueiro ao longo da próxima década.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também

CEO
Marcelo Fontana
[email protected]
Editora
Aline Feltrin
[email protected]
/aline-feltrin
Repórter
Valéria Bursztein
[email protected]
/valeria-bursztein
Executivo de contas
Tânia Nascimento
[email protected]
Raul Urrutia
[email protected]
Financeiro
Vidal Rodrigues
[email protected]
Eventos corporativos / Marketing
Barbara Ghelen
[email protected]
Publicidade
Karoline Jones
[email protected]
Representante região Sul (PR/RS/SC)
Gilberto A. Paulin
+55 (41) 3029-0563
João Batista A. Silva
[email protected]

Aviso de reprodução Este conteúdo pode ser compartilhado com responsabilidade

Este conteúdo pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte com link: Agência Transporte Moderno. Respeitar a autoria e indicar a origem da informação contribui para fortalecer o bom jornalismo e a produção de conteúdo confiável.