A Latam Airlines Brasil ainda não decidiu se recorrerá à nova linha de crédito para capital de giro criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), mas avalia que o financiamento pode fortalecer a liquidez das companhias aéreas em um momento de forte pressão provocada pela alta do querosene de aviação (QAV). A avaliação foi feita pelo CEO da empresa, Jerome Cadier, durante a coletiva de apresentação dos resultados do segundo trimestre.
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Segundo o executivo, a companhia ainda discute internamente a contratação da linha e ressaltou que o próprio BNDES definiu o programa como um instrumento de apoio ao capital de giro, e não como uma fonte de recursos para acelerar investimentos.
“Essa linha foi disponibilizada. Ela ainda não foi tomada. Estamos nas discussões finais para decidir se vamos tomar ou não. O próprio BNDES chama essa linha de apoio ao capital de giro. Não é necessariamente uma linha que permite investimentos adicionais, mas um instrumento para enfrentar um fator externo, que é essa crise do combustível”, afirmou Cadier.
Anunciada pelo governo federal, a linha emergencial disponibiliza até R$ 8 bilhões para companhias aéreas brasileiras com recursos do FNAC. O objetivo é recompor a liquidez das empresas diante da disparada dos custos operacionais, especialmente com o combustível de aviação. O financiamento prevê juros de 4% ao ano, prazo de até 60 meses, com até 12 meses de carência para pagamento do principal.
Cadier fez questão de reconhecer o trabalho realizado pelo BNDES, pelo Ministério da Fazenda e pelo Ministério de Portos e Aeroportos na estruturação da medida. “Vale aqui um reconhecimento e um agradecimento formal ao BNDES, ao Ministério da Fazenda e ao Ministério de Portos e Aeroportos, que trabalharam arduamente para que essa linha fosse viabilizada.”
Exposição cambial
Embora representantes da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) tenham afirmado que a linha contribui para reduzir a exposição cambial das companhias, Cadier ponderou que esse efeito tende a ser menor no caso da Latam.
Segundo ele, a companhia já possui uma proteção natural decorrente da combinação entre operações internacionais e receitas da divisão de cargas. “Para o caso da Latam, ela não reduz necessariamente a exposição cambial. A nossa operação internacional e a operação de cargas já nos deixam relativamente bem protegidos.”
Carga mantém papel estratégico
Ao responder sobre o desempenho da divisão cargueira no resultado financeiro anunciado pela companhia, Cadier afirmou que a operação continua sendo um dos pilares do modelo de negócios da companhia e segue crescendo mesmo sem expansão da frota dedicada.
No segundo trimestre, a receita da Latam Cargo atingiu US$ 510 milhões, alta de 21,8% sobre o mesmo período do ano anterior. Segundo o executivo, a companhia ampliou a capacidade disponível nos porões das aeronaves de passageiros, mas manteve estável o número de cargueiros exclusivos.
“A operação de passageiros e a de cargas sempre se complementaram. Algumas rotas se sustentam mais pela carga do que pelos passageiros; em outras ocorre o contrário. O fato é que uma operação complementa a outra e continua sendo extremamente relevante para a companhia.”
Linha ajuda, mas não resolve custo do combustível
Durante a exposição dos resultados financeiros, Cadier fez críticas à política de precificação do querosene de aviação no Brasil. O executivo afirmou que, diferentemente do que ocorreu com outros combustíveis, a alta internacional do QAV foi integralmente repassada às companhias aéreas, mantendo forte pressão sobre os custos operacionais.
“A regra de precificação do querosene de aviação não mudou. Continuamos pagando cerca de 50% mais do que pagávamos em janeiro. A linha do FNAC ajuda, mas a precificação do combustível não teve nenhuma mudança”, afirmou.
O CFO do Grupo Latam Airlines, Ricardo Bottas, acrescentou que, além da valorização da commodity, houve aumento expressivo dos custos logísticos associados ao transporte do combustível em razão dos impactos geopolíticos sobre rotas marítimas e infraestrutura de refino.
Segundo ele, países que produzem combustível localmente deveriam estar menos expostos a esse tipo de pressão. “Existe uma oportunidade de aprimorar essa precificação. Em alguns casos, regiões que possuem produção e refino próprios acabam absorvendo aumentos de custos de transporte que não deveriam ser repassados de forma tão intensa”, afirmou.
Apesar do cenário ainda desafiador, a Latam afirmou que continuará acompanhando a evolução dos custos do combustível e avaliando a contratação da linha do BNDES como uma ferramenta adicional para preservar sua liquidez, sem alterar a estratégia de investimentos e expansão anunciada para o mercado brasileiro.
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