Queda do preço do diesel muda cálculo do frete; veja quem paga mais e quem paga menos

Atualização da tabela da ANTT reduz o impacto do combustível nas viagens longas, enquanto custos fixos pressionam o piso mínimo nas rotas curtas

Aline Feltrin

A queda de 5,2% no preço do diesel S10 entre janeiro e julho alterou a composição dos custos utilizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para calcular o piso mínimo do frete rodoviário de cargas. Enquanto o principal insumo operacional ficou mais barato, praticamente todos os demais componentes da tabela foram reajustados em 3,5%, em linha com a inflação acumulada pelo IPCA no período.

A atualização da Tabela A da ANTT mostra que o diesel passou a ser considerado a R$ 6,97 por litro. Em contrapartida, itens como veículo, implemento rodoviário, salários dos motoristas, manutenção e pneus tiveram reajuste uniforme de 3,5%. O Arla 32 registrou alta de 3,4%.

A metodologia da ANTT considera uma cesta de custos fixos e variáveis para definir os valores mínimos do frete, atualizados periodicamente. O objetivo é refletir as oscilações dos principais insumos da atividade e garantir que os valores mínimos acompanhem a evolução dos custos do transporte.

Embora o reajuste tenha sido praticamente uniforme para a maior parte dos itens, seu impacto não é o mesmo para todas as operações.

Diesel mais barato beneficia longas distâncias

Análise do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostra que a queda do preço do diesel tende a beneficiar principalmente o transporte de longa distância. Nessas operações, o combustível responde por uma parcela significativa do custo operacional e sua redução é suficiente para compensar boa parte da alta dos demais componentes considerados na tabela.

Nas viagens curtas, entretanto, predominam despesas fixas, como remuneração dos motoristas, depreciação do veículo, implementos e manutenção. Como o diesel representa uma parcela menor da estrutura de custos, sua queda tem capacidade limitada para neutralizar os reajustes desses itens.

Na prática, isso significa que a atualização do piso mínimo tende a ser mais intensa em operações regionais e de curta distância do que nos trajetos de longo curso, onde a redução do combustível ajuda a aliviar a pressão sobre o custo final.

O cenário reforça que, embora o diesel continue sendo o principal custo variável do transporte rodoviário de cargas, sua influência sobre o valor do frete depende da composição de custos de cada operação. Em um ambiente de inflação concentrada sobre despesas fixas, o efeito das revisões da tabela da ANTT passa a variar conforme a distância percorrida.

Como ficaram os principais custos da tabela da ANTT

  • Diesel S10 -5,2% R$ 6,97/litro
  • Veículo de carga +3,5% R$ 842.143
  • Implemento rodoviário +3,5% R$ 159.720
  • Piso salarial do motorista +3,5% R$ 3.106/mês
  • Diária do motorista +3,5% R$ 3.210
  • Manutenção +3,5% R$ 0,54/km
  • Pneu traseiro +3,5% R$ 3.005
  • Pneu direcional +3,5% R$ 2.653
  • Arla 32 +3,4% R$ 3,68/litro

Fonte: ANTT e análise ILOS.

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