A Norcoast, empresa brasileira de navegação costeira, vai ampliar sua malha de cabotagem com a inclusão da Rio Brasil Terminal (RBT), no Porto do Rio de Janeiro, em sua rota regular. A primeira escala está prevista para hoje, 21 de julho, quando o navio NC Breda atracará no terminal. O movimento marca o início de uma operação que conecta diretamente a Zona Franca de Manaus ao mercado fluminense.
A nova escala faz parte da estratégia da companhia de ampliar sua cobertura no Sudeste e aumentar a capilaridade da cabotagem no país. O objetico é oferecer uma alternativa logística para cargas domésticas e serviços feeder, que conectam portos nacionais às rotas internacionais.
Segundo a empresa, a operação amplia as opções para embarcadores ao oferecer maior previsibilidade operacional, flexibilidade e integração entre os modais marítimo, ferroviário e rodoviário.
Com a inclusão do Rio de Janeiro na rota regular, o porto passa a integrar uma ligação direta de cabotagem com Manaus, o que fortalecerá a conexão entre o polo industrial da Zona Franca e o Sudeste. A operação também amplia o potencial de atendimento a cargas originadas no próprio estado, além de Espírito Santo, Minas Gerais e interior de São Paulo, por meio da conexão com a malha ferroviária.
Na avaliação da companhia, a nova operação deve beneficiar principalmente segmentos como bens de consumo, siderurgia e bebidas, além de cargas de maior valor agregado, para as quais atributos como segurança, confiabilidade e regularidade têm peso crescente na escolha do modal.
“Queremos ampliar a capilaridade da cabotagem, expandindo o portfólio de serviços e a rede de atendimento de forma consistente e sustentável. Estamos acompanhando a demanda desses setores e apostamos na geração de valor por meio do aumento da oferta, do estímulo à cabotagem e do desenvolvimento regional”, disse, em nota, Marcio Salmi, diretor comercial da Norcoast.
Com a nova escala, a Norcoast passa a operar uma rota que conecta os portos de Manaus (AM), Pecém (CE), Suape (PE), Salvador (BA), Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e Rio de Janeiro (RJ). A empresa conta com quatro navios, cada um com capacidade para transportar cerca de 3,5 mil TEUs, e aposta em um modelo de operação porta a porta, integrando o transporte marítimo aos demais modais.
Setor ainda enfrenta desafios
A inclusão do Porto do Rio de Janeiro na malha da Norcoast acompanha um movimento de fortalecimento da cabotagem no país. Dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC) indicam que o transporte voltou a crescer no segundo trimestre deste ano, impulsionado pela retomada das operações domésticas e do segmento feeder. Ainda assim, o avanço acumulado no primeiro semestre foi de apenas 0,9%, desempenho que evidencia o desafio de ampliar a participação do modal na matriz logística brasileira.
Embora o Brasil tenha mais de 8 mil quilômetros de litoral, a cabotagem ainda responde por uma parcela reduzida do transporte de cargas. Para Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral (FDC), o principal obstáculo não está na navegação em si, mas na falta de integração entre os diferentes modais de transporte.
“O porto não pode ser visto como o destino final da carga, mas como parte de um corredor logístico. Sem conexão eficiente com ferrovias, rodovias e centros de distribuição, a cabotagem perde competitividade”, afirmou Resende em entrevista recente à Transporte Moderno.
Nesse contexto, investimentos em soluções porta a porta, integração multimodal e ampliação da oferta de serviços, como a nova operação da Norcoast no Rio de Janeiro, buscam reduzir um dos principais gargalos do setor: a dificuldade de oferecer ao embarcador uma cadeia logística integrada.
Além do ganho operacional, a cabotagem vem sendo cada vez mais utilizada como estratégia para reduzir emissões de carbono. Levantamento da própria Norcoast aponta que, em determinados corredores logísticos, o modal marítimo pode emitir até 89% menos CO₂ do que o transporte rodoviário, além de reduzir significativamente os riscos de roubo de cargas, fatores que têm ampliado o interesse de embarcadores dos setores industrial e de bens de consumo.
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