Infrações corroem margens das transportadoras

Excesso de velocidade e documentação irregular elevam custos operacionais e reduzem disponibilidade

Redação

O excesso de velocidade e as irregularidades documentais continuam entre as principais fontes de custos evitáveis para as transportadoras brasileiras, pressionando margens em um setor já impactado por diesel, manutenção e escassez de motoristas.

Além do valor das multas, infrações recorrentes elevam o consumo de combustível, aceleram o desgaste de pneus e componentes e podem resultar na retenção de veículos durante fiscalizações, afetando diretamente a produtividade das operações.

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), até 25% dos caminhões fiscalizados em determinadas operações apresentam algum tipo de irregularidade, desde problemas de documentação até infrações relacionadas ao comportamento do motorista.

Retenção de veículos amplia prejuízos

Para as transportadoras, o impacto financeiro das infrações vai muito além da autuação. “O problema vai além da penalidade em si e está diretamente ligado à gestão da operação. Grande parte dessas infrações poderia ser evitada com processos mais estruturados”, afirma Marcelo Lemos, CEO da Frota 162, empresa especializada em gestão de multas e documentação de frotas.

Segundo ele, excesso de velocidade e licenciamento vencido figuram entre as ocorrências mais frequentes justamente porque dependem de monitoramento contínuo e acompanhamento de prazos. “O custo da infração não se limita ao valor da multa. Existe um impacto indireto importante, que envolve desde manutenção até aumento de risco operacional. Quando isso se repete ao longo do tempo, o efeito no caixa da transportadora é significativo”, afirma.

O avanço da telemetria e das plataformas digitais de gestão de frotas tem permitido às empresas acompanhar comportamento de condução, vencimentos de documentos e indicadores operacionais em tempo real, reduzindo a dependência de controles manuais.

“Hoje, a gestão de frotas passa necessariamente por dados. Monitorar comportamento de direção, controlar prazos de documentação e atuar de forma preventiva são medidas que reduzem custos e aumentam a eficiência”, afirma Lemos.

Segundo o executivo, empresas que conseguem transformar dados operacionais em ações preventivas tendem a reduzir despesas e aumentar a disponibilidade dos ativos em um ambiente de margens cada vez mais pressionadas.

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