Produção de caminhões cai 14,4% no primeiro semestre, mas junho dá sinais de reação

Emplacamentos crescem na comparação anual pela primeira vez desde março de 2025, embora produção, vendas e exportações ainda acumulem retração no ano

Aline Feltrin

A produção de caminhões no Brasil somou 56,8 mil unidades no primeiro semestre de 2026, volume 14,4% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram fabricados 66,4 mil veículos. Apesar da retração acumulada, junho trouxe sinais de recuperação, com 10,9 mil caminhões produzidos, alta de 3,9% sobre maio, embora ainda 3,5% abaixo do resultado de junho de 2025.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, o mercado de caminhões continua enfrentando dificuldades, mas a intensidade da queda diminuiu ao longo do ano. “A retração é bastante importante, mas ainda assim menor do que aquela que vimos no início do ano. Melhoramos, se assim podemos dizer, mas aquilo que estava muito ruim continuou ruim. Agora, a queda ficou menor.”

Os emplacamentos acumulam retração de 10,5% no semestre, com 49 mil unidades licenciadas, enquanto as exportações recuaram 16,2%, para 11,3 mil caminhões.

De acordo com Calvet, o cenário continua pressionado principalmente pelos juros elevados, pelo alto endividamento do agronegócio, pela redução das margens dos produtores rurais e pela queda dos preços das commodities, fatores que afetam diretamente a renovação das frotas.

Apesar desse ambiente, o executivo destacou que os programas de financiamento Move Brasil e BNDES Finame ajudaram a reduzir a intensidade da retração. “Os programas foram muito bem-vindos, mas não conseguiram reverter a trajetória de queda. O que conseguiram foi diminuir a queda.”

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Outro sinal positivo apontado pela entidade foi o desempenho de junho. Pela primeira vez desde março de 2025, os emplacamentos cresceram na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foram 9,8 mil caminhões emplacados, alta de 14,7% sobre junho de 2025 e de 15,9% frente a maio.

Segundo Calvet, 76% da variação positiva dos emplacamentos de junho foi explicada pelo segmento de caminhões pesados, refletindo os primeiros efeitos da segunda etapa do Move Brasil. “Esse é o primeiro mês em que essa curva se inverte. Chegamos a 9,8 mil unidades emplacadas, acima das 8,5 mil de junho do ano passado. Setenta e seis por cento dessa variação é creditada aos caminhões pesados.”

Mesmo assim, o presidente da Anfavea avalia que o segundo semestre ainda inspira cautela. O fim dos recursos disponibilizados na segunda etapa do programa, aliado à manutenção dos juros elevados, ao aumento do custo do diesel, dos pedágios e às dificuldades financeiras do agronegócio, deve continuar limitando a recuperação do mercado.

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