“Não há espaço fiscal nem tempo para um Move Brasil 3”, diz o presidente da Anfavea

Igor Calvet afirma que o governo não deve lançar uma nova etapa do programa e diz que ainda há cerca de R$ 1,3 bilhão disponível para caminhoneiros autônomos

Aline Feltrin

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não espera uma terceira etapa do programa Move Brasil para estimular a venda de caminhões. Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, fontes do governo informaram que não há espaço fiscal nem tempo hábil para o lançamento de uma nova rodada ainda neste ano.

“Já ouvi isso de autoridades tanto pela questão fiscal quanto pela questão eleitoral. A partir de determinado período, o governo também não pode lançar um novo programa”, afirmou. De acordo com Calvet, os recursos remanescentes das duas etapas do Move Brasil serão os únicos estímulos disponíveis para o mercado de caminhões no restante do ano. Por isso, a Anfavea projeta um segundo semestre mais desafiador para o setor.

Apesar de considerar que o Move 1 e o Move 2 foram fundamentais para reduzir a intensidade da retração do mercado, o executivo ressaltou que os programas não conseguiram reverter a tendência de queda. “O Move 1 e o Move 2 foram fundamentais este ano. O governo fez um esforço gigantesco para disponibilizar esses recursos ao setor. Infelizmente, eles não foram suficientes para reverter o quadro negativo. Conseguiram diminuir a queda.”

Segundo a entidade, a expectativa é de uma acomodação do mercado nos próximos meses, diante da manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado, do cenário ainda desafiador para o agronegócio e da ausência de novos incentivos para a renovação da frota.

Por causa do cenário ruim, a Anfavea revisou para baixo sua projeção para a produção de caminhões no Brasil e agora estima que a indústria encerrará o ano com 106 mil unidades fabricadas. O volume representa queda de cerca de 6% em relação às 113 mil unidades produzidas no ano passado.

Durante a apresentação das projeções do setor automotivo, o presidente da Anfavea destacou que a indústria perderá o equivalente ao mercado argentino de caminhões em apenas dois anos. “Em dois anos, estamos falando de menos 18 mil unidades. Dezoito mil unidades é o tamanho do mercado argentino. Nós, em dois anos, perdemos o equivalente ao mercado argentino”, afirmou.

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Recursos para autônomos serão utilizados?

Calvet informou que parte dos recursos destinados aos caminhoneiros autônomos na segunda etapa do Move Brasil continua disponível. Embora a Anfavea não tenha números oficiais, a estimativa é de que cerca de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão ainda possa ser utilizado até 28 de agosto de 2026. “Não é um dado oficial, mas ainda deve haver algo entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão disponível para os autônomos. Esses recursos ainda podem ser utilizados dentro do prazo do programa.”

No segmento das empresas transportadoras, entretanto, o cenário é diferente. Segundo Calvet, cerca de 90% dos recursos destinados às pessoas jurídicas já foram utilizados, enquanto no segmento de ônibus o volume reservado foi praticamente integralmente consumido.

O presidente da Anfavea também comentou a mobilização de montadoras e instituições financeiras para ampliar o uso dos recursos remanescentes, como o feirão realizado no Porto de Santos, que reuniu fabricantes, bancos e agentes financeiros credenciados no programa.

Apesar dessas iniciativas, a entidade avalia que o saldo disponível para os autônomos dificilmente será totalmente utilizado até o encerramento do prazo do Move Brasil.

Para a Anfavea, a recuperação do mercado de caminhões dependerá, principalmente, da redução dos juros e da melhora das condições econômicas do agronegócio. “O segundo semestre será muito difícil para o mercado de caminhões. Precisamos encontrar novas formas de estimular esse mercado, porque, pessoalmente, não acredito em um Move 3”, concluiu Calvet.

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