A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou para baixo sua projeção para a produção de caminhões no Brasil e agora estima que a indústria encerrará o ano com 106 mil unidades fabricadas. O volume representa queda de cerca de 6% em relação às 113 mil unidades produzidas no ano passado.
Durante a apresentação das projeções do setor automotivo, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que a indústria perderá o equivalente ao mercado argentino de caminhões em apenas dois anos. “Em dois anos, estamos falando de menos 18 mil unidades. Dezoito mil unidades é o tamanho do mercado argentino. Nós, em dois anos, perdemos o equivalente ao mercado argentino”, afirmou.
Segundo Calvet, a produção de caminhões passou de 125 mil unidades para 113 mil e a projeção para este ano é de 106 mil veículos.
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Na avaliação da entidade, o mercado continua pressionado pelo elevado custo do crédito, pelo alto endividamento do agronegócio, pela redução das margens dos produtores rurais e pela queda dos preços das commodities, fatores que seguem comprometendo a renovação das frotas.
Apesar desse cenário, Calvet destacou que os programas Move Brasil e BNDES Finame ajudaram a reduzir a intensidade da retração do mercado, embora não tenham sido suficientes para reverter a tendência de queda.
Os números do primeiro semestre reforçam esse cenário. Entre janeiro e junho, a produção de caminhões somou 56,8 mil unidades, retração de 14,4% em relação às 66,4 mil fabricadas no mesmo período do ano anterior. Os emplacamentos recuaram 10,5%, para 49 mil unidades, enquanto as exportações caíram 16,2%, totalizando 11,3 mil caminhões.
Apesar da retração acumulada, junho trouxe sinais de melhora. A produção atingiu 10,9 mil caminhões, alta de 3,9% sobre maio, embora ainda tenha ficado 3,5% abaixo do volume registrado em junho do ano passado. Os licenciamentos também avançaram para 9,8 mil unidades, crescimento de 14,7% na comparação com junho de 2025 e de 15,9% frente a maio.
Segundo Calvet, 76% da alta registrada nos emplacamentos de junho foi impulsionada pelo segmento de caminhões pesados, refletindo os primeiros efeitos da segunda etapa do programa Move.
“Esse é o primeiro mês em que essa curva se inverte. Chegamos a 9,8 mil unidades emplacadas, acima das 8,5 mil de junho do ano passado. Setenta e seis por cento dessa variação é creditada aos caminhões pesados”, afirmou.
Mesmo com a melhora observada em junho, a Anfavea mantém uma perspectiva cautelosa para o restante do ano. Segundo a entidade, o fim dos recursos da segunda etapa do programa Move, aliado aos juros elevados, ao aumento dos custos do diesel e dos pedágios e às dificuldades financeiras do agronegócio, deve continuar limitando a recuperação da produção de caminhões.
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