Anfavea prevê mercado de 106,7 mil caminhões em 2026 e perda de 18 mil unidades em dois anos

Setor enfrenta queda contínua pressionado por crédito caro, agronegócio fragilizado e custos elevados

Aline Feltrin

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou para baixo sua projeção para o mercado brasileiro de caminhões e passou a estimar o encerramento de 2026 com 106,7 mil unidades licenciadas. Se a previsão se confirmar, o volume representará uma queda de 5,9% em relação às 113,4 mil unidades emplacadas em 2025 e um recuo de 14,6% na comparação com o pico de 125 mil caminhões registrados em 2024.

Durante a apresentação das projeções do setor automotivo, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que a indústria perderá o equivalente ao mercado argentino de caminhões em apenas dois anos. “Esse é o tamanho do mercado argentino. Nós, em dois anos, perdemos o equivalente ao mercado argentino”, afirmou.

Leia mais

Avanço das chinesas leva transportadora a investir em 300 caminhões e mirar R$ 1,4 bi em receita
Depois de iniciar projeto com biometano, TransJordano usa Move Brasil para negociar 100 caminhões Scania a diesel
Megacomplexo da Potencial movimenta 380 caminhões por dia

Na avaliação da entidade, o mercado continua pressionado pelo elevado custo do crédito, pelo alto endividamento do agronegócio, pela redução das margens dos produtores rurais e pela queda dos preços das commodities, fatores que seguem comprometendo a renovação das frotas.

Apesar desse cenário, Calvet destacou que o programa Move Brasil ajudou a reduzir a intensidade da retração do mercado, embora não tenham sido suficientes para reverter a tendência de queda.

Os números do primeiro semestre reforçam esse cenário. Entre janeiro e junho, o mercado de caminhões somou 49 mil unidades, retração de 10,5% em relação às 54,7 mil vendas feitas no mesmo período do ano anterior.

Apesar da retração acumulada, junho trouxe sinais de melhora. As indústrias venderam 9,8 mil caminhões, alta de 15,9% sobre maio (8,4 mil). Além disso, ficou 14,7% acima do volume registrado em junho do ano passado (8,5 mil).

Segundo Calvet, 76% da alta registrada nos emplacamentos de junho foi impulsionada pelo segmento de caminhões pesados, refletindo os primeiros efeitos da segunda etapa do programa Move.

“Esse é o primeiro mês em que essa curva se inverte e 76% dessa variação é creditada aos caminhões pesados”, afirmou.

Mesmo com a melhora observada em junho, a Anfavea mantém uma perspectiva cautelosa para o restante do ano. Segundo a entidade, o fim dos recursos da segunda etapa do programa Move Brasil, aliado aos juros elevados, ao aumento dos custos do diesel e dos pedágios e às dificuldades financeiras do agronegócio, deve continuar limitando a recuperação da produção de caminhões.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também

CEO
Marcelo Fontana
[email protected]
Editora
Aline Feltrin
[email protected]
/aline-feltrin
Repórter
Valéria Bursztein
[email protected]
/valeria-bursztein
Executivo de contas
Tânia Nascimento
[email protected]
Raul Urrutia
[email protected]
Financeiro
Vidal Rodrigues
[email protected]
Eventos corporativos / Marketing
Barbara Ghelen
[email protected]
Publicidade
Karoline Jones
[email protected]
Representante região Sul (PR/RS/SC)
Gilberto A. Paulin
+55 (41) 3029-0563
João Batista A. Silva
[email protected]

Newsletter O que move o mercado, primeiro para você

Receba as principais notícias, análises e tendências do transporte moderno diretamente no seu e-mail e acompanhe atualizações em tempo real pelo nosso canal oficial.