A australiana Myriota anunciou a integração de conectividade celular à sua rede de Internet das Coisas (IoT) via satélite, criando uma plataforma híbrida capaz de alternar automaticamente entre redes terrestres e satelitais para manter a comunicação contínua de ativos industriais em movimento.
A novidade combina a rede não terrestre (NTN) HyperPulse com conectividade celular 4G e 5G, permitindo que equipamentos, veículos, contêineres e cargas permaneçam conectados durante todo o percurso, inclusive em regiões sem cobertura das operadoras móveis.
Segundo a empresa, o sistema elimina a necessidade de utilizar dispositivos, contratos ou plataformas separados para comunicação via satélite e celular, simplificando projetos de rastreamento e monitoramento em larga escala.
Logística e transporte
A solução foi desenvolvida para operações nas quais os ativos transitam constantemente entre áreas urbanas e regiões remotas, como corredores rodoviários, portos, minas, fazendas, canteiros de obras e instalações de infraestrutura.
Entre os exemplos citados pela empresa estão carretas, contêineres, geradores móveis, equipamentos locados e outros ativos que permanecem parte do tempo sob cobertura celular e parte em locais sem infraestrutura de telecomunicações.
O roteamento das mensagens é realizado automaticamente, utilizando a rede disponível no momento, sem necessidade de intervenção do usuário. Para Ben Cade, CEO da Myriota, a combinação entre satélite e redes celulares reduz uma das principais barreiras para a expansão da IoT industrial.
“Durante décadas, muitos ativos remotos permaneceram desconectados porque a economia desses projetos não fechava. A combinação entre satélite e celular torna viável conectar praticamente qualquer ativo”, afirma.
Mercado em expansão
A empresa aposta no crescimento da Internet das Coisas baseada em redes não terrestres (NTN). Segundo levantamento da consultoria ABI Research, as conexões IoT via satélite compatíveis com padrões 3GPP deverão crescer de 2,08 milhões em 2024 para quase 14 milhões em 2032, com taxa média anual de expansão de 26,9%.
Esse avanço acompanha a convergência entre redes terrestres e satelitais para aplicações industriais, especialmente em cadeias logísticas, energia, mineração, agronegócio e infraestrutura crítica.
Cenário brasileiro
No Brasil, a solução busca atender um desafio recorrente das operações logísticas: manter a conectividade durante todo o deslocamento de veículos e equipamentos. Dados do Indicador de Conectividade Rural (ICR), da ConectarAgro, mostram que a cobertura 4G e 5G nas áreas agrícolas brasileiras passou de 18,7% para 33,9% no último ano. A proporção de imóveis rurais com sinal móvel também cresceu, de 37,4% para 48,1%.
Apesar da evolução, ainda existem grandes áreas sem cobertura terrestre, especialmente fora dos principais corredores rodoviários e dos polos das regiões Sul e Sudeste, cenário que amplia o interesse por soluções híbridas de comunicação. A Myriota informou que a conectividade híbrida estará disponível comercialmente ainda neste mês.
A convergência entre redes NTN (Non-Terrestrial Networks) e 5G, prevista pelo padrão 3GPP Release 17, vem sendo adotada por diversos fornecedores para eliminar “zonas de sombra” em aplicações logísticas, de transporte, agricultura e infraestrutura
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