A Transportes Cavalinho conseguiu reduzir em 30% seu fator de emissão de carbono seis anos antes do prazo inicialmente estabelecido, mesmo após ampliar em 126% sua produtividade no período. O resultado foi alcançado por meio de uma estratégia baseada em eficiência operacional, renovação tecnológica, treinamento de motoristas, ampliação da capacidade de carga e adoção gradual de combustíveis alternativos.
O caso foi apresentado por Luís Gustavo Monteiro, diretor Operacional da empresa, durante o Fórum Transporte Sustentável, promovido pela OTM Editora na fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo (SP).

Segundo o executivo, a companhia iniciou sua jornada de sustentabilidade em 2010, quando decidiu medir pela primeira vez sua pegada de carbono. O inventário apontou emissões equivalentes a 1,27 kg de CO₂ por quilômetro rodado e levou a transportadora a estabelecer a meta de reduzir em 30% suas emissões em um horizonte de 20 anos. A meta, porém, foi atingida já em 2024.
“A nossa atividade é potencialmente nociva para o meio ambiente, precisamos fazer alguma coisa”, relembrou Monteiro, citando uma reflexão feita pelo presidente da companhia, Paulo Assani, que serviu de ponto de partida para a estratégia de descarbonização da empresa.
Mais carga, menos viagens
Uma das principais iniciativas adotadas foi a implantação de equipamentos de maior capacidade para o transporte de granéis líquidos. Em parceria com seus clientes, a empresa substituiu parte das carretas convencionais por implementos de maior porte, capazes de transportar volumes superiores em cada viagem.
Segundo Monteiro, a solução reduz o número de deslocamentos necessários para atender a mesma demanda, diminuindo o consumo de combustível, as emissões e a exposição operacional em um segmento que transporta produtos perigosos.
“É um equipamento que transporta mais carga, com uma quantidade menor de viagens, menos emissões e mais segurança, porque menos viagens significam menor exposição do veículo e menos movimentações de carga e descarga”, afirmou.
O ganho aumenta relevância diante do peso ambiental do transporte rodoviário no Brasil. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que o setor de transportes responde por cerca de 47% das emissões associadas ao uso de energia no país, enquanto o transporte rodoviário concentra a maior parte desse volume, tornando iniciativas de eficiência operacional fundamentais para o cumprimento das metas climáticas brasileiras.
Treinamento e tecnologia
Outra frente importante foi o investimento em capital humano. A companhia mantém no Rio Grande do Sul o Centro Honor, estrutura de capacitação pela qual já passaram mais de 16 mil motoristas, incluindo profissionais de outras empresas do mercado.
O programa combina treinamentos técnicos e comportamentais, acompanhados posteriormente por sistemas de telemetria e ferramentas de gamificação capazes de monitorar o desempenho dos condutores em tempo real.
A renovação permanente da frota também integra a estratégia. Atualmente, a Cavalinho opera mais de mil conjuntos e mantém idade média inferior a três anos, além de adotar uma política rigorosa de manutenção preventiva para garantir maior eficiência energética dos veículos.
Posto próprio de abastecimento
No campo da transição energética, a transportadora foi uma das primeiras empresas do país a testar caminhões movidos a gás da Scania e agora prepara a instalação de um posto próprio de abastecimento de GNV e biometano em sua unidade de Paulínia (SP). O projeto prevê o uso combinado de moléculas de gás natural e biometano, de acordo com as metas de descarbonização dos clientes.
Quando o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CEGOB) estiver plenamente regulamentado, a companhia pretende utilizar o instrumento para comprovar os atributos ambientais do combustível fornecido aos clientes.
Compensação e certificações
Mesmo após atingir antecipadamente a meta estabelecida, a empresa mantém programas de compensação de emissões. Desde 2012, a companhia investe em áreas de preservação permanente na Amazônia e hoje mantém cerca de 410 milhões de metros quadrados protegidos, com capacidade de sequestro de carbono superior ao volume emitido por suas operações.
As iniciativas também renderam reconhecimentos internacionais. A empresa conquistou o selo prata da EcoVadis — distinção obtida por apenas 15% das empresas avaliadas globalmente — além de certificações como City Green, TFS e CDP. A companhia também aderiu a 11 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU por meio de certificação conduzida pela SGS.
O reconhecimento da EcoVadis vem ganhando importância nas cadeias globais de suprimentos, especialmente entre grandes embarcadores internacionais, que utilizam a plataforma para homologação e monitoramento de fornecedores.
Na avaliação de Monteiro, a experiência da Cavalinho demonstra que a agenda da sustentabilidade pode gerar ganhos operacionais e competitivos. A combinação entre equipamentos de maior capacidade, treinamento de motoristas, renovação de frota e combustíveis renováveis permitiu reduzir simultaneamente custos, emissões e riscos operacionais.
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