Como a Petrobras conseguiu cortar 36% das emissões sem reduzir a produção de petróleo?

Estratégia combina captura de carbono, ganhos de eficiência e otimização de ativos para avançar rumo ao Net Zero

Aline Feltrin

A Petrobras encerrou 2025 com uma redução de 36% nas emissões absolutas de gases de efeito estufa em comparação com 2015, atingindo 50 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. No mesmo período, as emissões diretas de metano caíram 62%, segundo o Relatório de Sustentabilidade divulgado pela companhia.

O resultado foi alcançado mesmo em um cenário de aumento da produção de petróleo e gás, impulsionado por uma série de iniciativas de descarbonização integradas ao Programa Carbono Neutro da estatal.

Entre os principais fatores apontados pela empresa estão ganhos de eficiência operacional, redução de perdas, otimização do portfólio de ativos — especialmente nas áreas de exploração, produção e refino — e a menor utilização de usinas termelétricas.

Um dos pilares da estratégia é a captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS). Apenas em 2025, a Petrobras reinjetou 19,6 milhões de toneladas de CO₂ nos reservatórios do pré-sal da Bacia de Santos, volume superior aos 14 milhões de toneladas registrados no ano anterior. Com isso, a companhia ultrapassou a marca acumulada de 80 milhões de toneladas de CO₂ reinjetadas desde o início do programa.

“Essa redução nas emissões demonstra que é possível conciliar segurança energética e eficiência operacional, reforçando nossas ambições de Net Zero até 2050 e Near Zero Methane até 2030”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Além dos avanços ambientais, o relatório mostra que a empresa recolheu R$ 277,6 bilhões em tributos e participações governamentais em 2025 e destinou R$ 195 bilhões ao pagamento de fornecedores. Na área socioambiental, os investimentos voluntários somaram R$ 480 milhões, alta de 63% em relação ao ano anterior.

A Petrobras também informou que passou a contar com planos de ações em biodiversidade em 100% de suas instalações, abrangendo 74 unidades operacionais, e investiu R$ 215 milhões em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados à conservação ambiental. O relatório integra a estratégia da companhia para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU e sua meta de neutralidade de carbono até 2050.

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