Brasil bate recorde histórico e movimenta 54,9 milhões de passageiros

Movimentação cresce 6,7% até maio, impulsionada pelo mercado internacional e pela ampliação da malha aérea

Valeria Bursztein

A aviação comercial brasileira movimentou 54,9 milhões de passageiros entre janeiro e maio deste ano, o maior volume já registrado para o período desde o início da série histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), iniciada em 2000. O resultado representa crescimento de 6,7% em relação aos cinco primeiros meses de 2025 e reforça a trajetória de expansão do setor no pós-pandemia.

Somente em maio, os aeroportos brasileiros registraram 10,5 milhões de embarques e desembarques, alta de 2,5% na comparação anual e novo recorde para o mês. O crescimento registrado neste ano ocorre após a aviação brasileira ter recuperado, em 2025, os níveis pré-pandemia. No ano passado, o setor movimentou 129,6 milhões de passageiros, superando o recorde até então registrado em 2019.

Os voos domésticos responderam por 42 milhões de passageiros no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, avanço de 5,5% sobre igual período de 2025. Em maio, o mercado interno transportou 8,3 milhões de passageiros, crescimento de 2%.

O segmento internacional, porém, continua liderando a expansão do setor. Entre janeiro e maio, os aeroportos brasileiros movimentaram 12,8 milhões de passageiros em voos para o exterior, alta de 10,3% na comparação anual e novo recorde para o período. Somente em maio, o fluxo internacional alcançou 2,2 milhões de passageiros, crescimento de 4,7% sobre o mesmo mês do ano passado.

O avanço tem o ritmo da ampliação da oferta de voos pelas companhias aéreas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, estão previstos para este ano 64 novos voos internacionais e 16 frequências adicionais, ampliando a conectividade do país com destinos na América Latina, Europa e América do Norte.

Sul no topo

O crescimento da demanda foi observado em todas as regiões do país. O Sudeste concentrou o maior volume de passageiros em maio, com 5,23 milhões de embarques e desembarques, seguido pelo Nordeste (1,58 milhão), Sul (1,14 milhão), Centro-Oeste (1,04 milhão) e Norte (467,5 mil). Na comparação anual, a região Sul apresentou o maior crescimento em maio, com alta de 5,8%, à frente do Sudeste (+2,4%) e do Nordeste (+1,9%).

No acumulado do ano, o Sudeste permaneceu na liderança, com 26,26 milhões de passageiros movimentados, seguido pelo Nordeste (9,02 milhões), Sul (5,88 milhões), Centro-Oeste (5,1 milhões) e Norte (2,3 milhões). Mais uma vez, a região Sul registrou a maior expansão percentual entre janeiro e maio, com crescimento de 10,3%, seguida pelo Nordeste (+9,4%), Centro-Oeste (+5,3%), Sudeste (+4,8%) e Norte (+1,5%).

Já com relação a aeroportos, o Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos manteve a liderança entre os aeroportos brasileiros, com 9,44 milhões de passageiros movimentados entre janeiro e maio.

Na sequência aparecem o Aeroporto de Congonhas, com 4,95 milhões de passageiros; o Aeroporto Internacional do Galeão, com 4,04 milhões; o Aeroporto Internacional de Brasília, com 3,39 milhões; e o Aeroporto Internacional de Confins, com 2,55 milhões. Também figuram entre os principais terminais do país os aeroportos de Campinas, Recife, Salvador, Porto Alegre, Santos Dumont, Fortaleza, Florianópolis, Curitiba, Belém e Goiânia.

Carga aérea em expansão

O segmento de carga aérea também vem apresentando crescimento. Segundo os dados mais recentes da Anac, os aeroportos brasileiros movimentaram 115,3 mil toneladas de cargas em abril, alta de 4,3% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Do total, 77,7 mil toneladas foram transportadas em operações internacionais, enquanto a carga doméstica respondeu por 37,6 mil toneladas. O desempenho reflete, sobretudo, a expansão do comércio eletrônico, do transporte expresso e do fluxo internacional de mercadorias.

O cenário para o segundo semestre também poderá ser influenciado pelo comportamento dos preços dos combustíveis aeronáuticos. A redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio tende a aliviar a pressão sobre os custos operacionais das companhias aéreas, embora fatores como câmbio, disponibilidade global de aeronaves e demanda continuem sendo determinantes para a evolução do mercado.

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