CNT: metade das rodovias públicas não protege usuários em acidentes

Estudo da CNT mostra que apenas 4,8% da malha pública tem alto nível de proteção; concessões chegam a 62%

Redação

Metade das rodovias públicas brasileiras apresenta baixa capacidade de reduzir a gravidade dos acidentes de trânsito. O dado consta da terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam, divulgada esta semana pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), e reforça o desafio da infraestrutura rodoviária nacional em um momento em que a segurança viária ganha relevância na agenda de transportes.

O levantamento mostra que 50% da extensão das rodovias administradas pelo poder público avaliadas pela entidade — o equivalente a 42.052 quilômetros — foram classificadas com Baixo Índice de Perdão. O indicador mede a capacidade da infraestrutura de minimizar danos aos usuários quando ocorrem acidentes. Apenas 4,8% dos trechos públicos analisados, ou 4.024 quilômetros, alcançaram classificação de Alto Índice de Perdão.

Nas rodovias concedidas, o cenário é significativamente diferente. Segundo a CNT, 62% da extensão analisada sob gestão privada apresenta Alto Índice de Perdão, enquanto apenas 2,4% foi enquadrada na categoria de Baixo Perdão.

Infraestrutura influencia gravidade dos acidentes

O conceito de “rodovias que perdoam” é adotado internacionalmente para definir vias capazes de reduzir as consequências dos acidentes por meio de elementos de segurança passiva. Entre os dispositivos avaliados estão defensas metálicas, barreiras de proteção, acostamentos adequados, áreas livres de obstáculos, atenuadores de impacto e outras estruturas voltadas à proteção dos usuários.

A pesquisa abrangeu cerca de 114 mil quilômetros da malha rodoviária nacional. Considerando o total analisado, 37,5% dos trechos foram classificados com Baixo Índice de Perdão, 42,7% com Médio Índice de Perdão e apenas 19,9% alcançaram Alto Índice de Perdão.

Em comparação com os dados de 2024, o cenário nacional permaneceu praticamente estável. Houve leve redução da participação dos trechos classificados como Alto Perdão e crescimento da faixa intermediária.

“A terceira edição do Painel confirma que a qualidade da infraestrutura viária impacta diretamente a gravidade dos acidentes. Embora o cenário nacional indique estabilidade, os resultados mostram que os avanços ainda são desiguais, reforçando a necessidade de ampliar investimentos em segurança viária, especialmente nas rodovias sob gestão pública”, afirma Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT.

Corredores logísticos concentram desafios

A análise regional também evidencia diferenças significativas entre as regiões brasileiras. Os trechos com melhor desempenho concentram-se principalmente no Sul e no Sudeste, onde a presença de rodovias concedidas é mais expressiva.

Já nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste predominam corredores classificados com Médio ou Baixo Índice de Perdão, incluindo rotas estratégicas para o transporte de cargas e passageiros. O cenário reforça preocupações do setor de logística e transporte, uma vez que a infraestrutura viária influencia não apenas a segurança dos usuários, mas também os custos operacionais e a eficiência dos deslocamentos.

O Painel CNT de Rodovias que Perdoam utiliza informações da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, cruzadas com dados de acidentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e estatísticas de fluxo veicular do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), permitindo consultas por estado, região, rodovia e modelo de gestão.

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