Volkswagen estima vender até 5 mil caminhões no Move Brasil

Com o lançamento do Move Brasil 2, a fabricante calcula que já exista um estoque reprimido entre 1,5 mil e 2 mil caminhões aguardando liberação dos recursos

Aline Feltrin

A Volkswagen Caminhões e Ônibus projeta vender entre 4,5 mil e 5 mil caminhões dentro do programa Move Brasil, considerando as duas etapas da iniciativa federal de renovação de frota. A avaliação é do vice-presidente de vendas da companhia, Ricardo Alouche, que vê o programa como decisivo para sustentar o mercado brasileiro de caminhões em 2026. Segundo o executivo, a primeira fase do programa já resultou em aproximadamente 3 mil caminhões Volkswagen financiados com taxas subsidiadas.

“Se analisarmos pela participação de mercado, provavelmente fomos a marca que mais vendeu dentro do programa”, afirmou. Agora, com o lançamento do Move Brasil 2, a fabricante calcula que já exista um estoque reprimido entre 1,5 mil e 2 mil caminhões aguardando liberação dos recursos. “O programa ficou suspenso por cerca de 45 dias. Nesse período, muitos clientes seguraram os negócios esperando a confirmação da fase 2”, explicou.

Para a montadora, os R$ 21,1 bilhões disponibilizados pelo governo devem acabar rapidamente, mesmo com a inclusão de ônibus, implementos rodoviários e carrocerias nesta nova etapa. Alouche acredita que os recursos podem se esgotar até julho ou início de agosto.

“O cliente antecipou compras. Negócios que normalmente aconteceriam no segundo semestre ou até na Fenatran estão sendo fechados agora”, disse. A avaliação da empresa é que junho e julho devem registrar forte aquecimento nas vendas e nos emplacamentos.

Segundo o executivo, o atraso observado no primeiro trimestre de 2026 não refletiu queda real da demanda, mas sim demora operacional na regulamentação do programa e na liberação dos financiamentos pelos bancos.

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Sem Move Brasil, mercado poderia cair até 10%

A Volkswagen estima que o mercado brasileiro de caminhões teria retração significativa em 2026 sem os financiamentos subsidiados do programa federal. “Sem o Move Brasil, o mercado deste ano poderia ser algo próximo de 10% menor em relação a 2025”, afirmou Alouche.

Apesar do cenário de juros elevados, restrição de crédito e incertezas macroeconômicas, a montadora acredita que o programa conseguirá sustentar o setor em níveis semelhantes aos do ano passado. “A necessidade de renovação de frota continua existindo. O agro segue forte, os minérios continuam sendo exportados e o transporte permanece aquecido”, disse.

A expectativa da fabricante é encerrar 2026 em patamar semelhante ao registrado em 2025, contrariando projeções mais pessimistas do mercado no início do ano. “É um ano de desafios, com juros altos, ano eleitoral, Copa do Mundo e muitos feriados. Mas o mercado brasileiro de transporte é robusto”, afirmou o executivo.

Segundo ele, o Move Brasil ajudou a mudar completamente a dinâmica do setor nos últimos meses. “O programa trouxe oxigênio para o mercado ao reduzir as taxas de financiamento em 30% a 40% em relação ao CDC tradicional”, destacou.

Montadora defende programa permanente

Apesar de elogiar a estrutura do programa, a Volkswagen avalia que o modelo atual ainda favorece mais as grandes empresas do que os caminhoneiros autônomos. Segundo Alouche, a principal dificuldade está na burocracia para aprovação do crédito do transportador independente.

“O autônomo enfrenta um processo mais lento, com exigência de diversas certidões e comprovação robusta de renda”, afirmou. A montadora defende que o Move Brasil deixe de ser um programa temporário e se transforme em política pública permanente.

“O primeiro autônomo faz, conta para o outro e isso cria cultura. Mas isso exige tempo. Um programa curto não consegue gerar essa transformação”, disse. Outro efeito observado pela Volkswagen é a antecipação de compras que tradicionalmente ocorreriam durante a Fenatran 2026.

Segundo Alouche, a edição deste ano tende a ter perfil mais institucional do que comercial. “A Fenatran de 2026 será mais uma feira de relacionamento e apresentação de produtos do que uma feira focada em descontos e fechamento de negócios”, afirmou. Mesmo assim, a montadora promete novidades no evento. “Teremos vários lançamentos”, disse o executivo, sem antecipar detalhes.

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