Porto Piauí mira cabotagem para conectar Nordeste ao Sul brasileiro

Projeto avalia rota marítima entre Piauí e Santa Catarina para ampliar cargas, reduzir custos logísticos e integrar mercados nacionais

Valeria Bursztein

A Companhia Porto Piauí e a SC Portos Operações Portuárias iniciaram estudos para estruturar uma rota regular de cabotagem entre o litoral piauiense e portos do Sul do país, em uma tentativa de inserir o estado nos principais corredores marítimos nacionais e criar alternativas ao transporte rodoviário de longa distância. O projeto envolve análises operacionais e econômicas para conectar o Porto de Luís Correia (PI) a terminais catarinenses e ampliar o fluxo de cargas entre as regiões Sul, Nordeste e Norte.

O memorando de entendimento (MoU) assinado entre as empresas prevê estudos sobre potencial de carga, modelos operacionais, estrutura de custos e viabilidade de escalas regulares. A aproximação entre as duas companhias começou a ser desenhada em abril, durante a edição de 2026 da Intermodal South America, quando executivos das empresas discutiram o potencial de integração logística entre o Nordeste e o Sul do país.

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Cabotagem cresce, mas segue concentrada

Embora a cabotagem tenha ampliado participação nos últimos anos, o modal ainda ocupa espaço reduzido na matriz brasileira de transporte de cargas. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) indicam que a navegação costeira responde atualmente por cerca de 11% da matriz nacional, enquanto o transporte rodoviário concentra aproximadamente 65% da movimentação.

Em 2025, a cabotagem brasileira superou 240 milhões de toneladas transportadas, puxada principalmente por combustíveis, granéis minerais, contêineres e cargas industriais. O segmento conteinerizado aparece entre os principais vetores de crescimento do modal, impulsionado pela expansão do e-commerce, pela reorganização das cadeias de distribuição e pela busca de alternativas ao frete rodoviário.

A movimentação, porém, continua concentrada em corredores já consolidados e em grandes estruturas portuárias. Portos como Suape (PE), Pecém (CE) e Salvador (BA) já operam rotas regulares de cabotagem ligando o Nordeste aos mercados do Sudeste e do Sul, com participação de armadores como Aliança Navegação, Log-In Logística Intermodal e Mercosul Line.

No Sul, terminais de porto de Itajaí (SC), porto de Navegantes (SC) e porto de Paranaguá (PR) concentram parte importante das operações domésticas de contêineres.

Viabilidade depende de escala e carga

Apesar do crescimento do setor, operadores avaliam que novos corredores de cabotagem dependem diretamente da formação de escala de carga e da regularidade operacional das rotas. A existência de demanda contínua é considerada decisiva para viabilizar economicamente novas linhas marítimas.

No caso do Piauí, o desafio envolve transformar o porto de Luís Correia em um ativo competitivo dentro de um mercado já disputado por portos nordestinos mais consolidados e com infraestrutura mais madura para movimentação de contêineres.

O setor também acompanha com cautela os custos operacionais da cabotagem no Brasil, incluindo preço do bunker, burocracias portuárias, disponibilidade de embarcações e tempo de operação nos terminais.

BR do Mar entra em fase de consolidação

A expansão de projetos de cabotagem ocorre em paralelo à implementação do programa federal BR do Mar, criado para ampliar a participação da navegação costeira na matriz logística brasileira. O programa ganhou tração regulatória em 2025 com a publicação do decreto que regulamentou parte das medidas previstas na legislação aprovada em 2022.

Entre os principais pontos estão a flexibilização do afretamento de embarcações estrangeiras por Empresas Brasileiras de Navegação (EBNs), estímulos ao aumento da oferta de navios e medidas voltadas à ampliação da concorrência no setor.

O governo federal estima que o programa possa reduzir custos logísticos e ampliar a participação da cabotagem no transporte doméstico de cargas nos próximos anos. O setor, porém, ainda cobra avanços relacionados à infraestrutura portuária, simplificação regulatória e maior integração operacional entre portos e armadores.

Para o Porto Piauí, a aposta na cabotagem faz parte da estratégia de consolidação do litoral piauiense como novo corredor logístico regional, com potencial para atender cargas ligadas ao agronegócio, fertilizantes, combustíveis e contêineres.

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