Ciberataques avançam sobre transporte e logística conectada

Digitalização amplia riscos de invasões, paralisações operacionais e roubo de cargas no setor logístico.

Redação

A digitalização das operações logísticas ampliou a exposição do transporte de cargas a ataques cibernéticos capazes de interromper entregas, comprometer sistemas de gestão e até facilitar o roubo físico de mercadorias.

O alerta foi feito pela Kaspersky, empresa de cibersegurança que identifica crescimento das ameaças sobre montadoras, operadores logísticos, transportadoras e plataformas de mobilidade conectadas.

A expansão do uso de telemetria, rastreamento, gestão de frotas em nuvem, roteirização digital e integração entre veículos e sistemas corporativos elevou a dependência do setor em relação à infraestrutura digital. Com isso, falhas de segurança passaram a representar também um risco operacional.

O setor de transporte e logística já figura entre os dez segmentos mais atacados do mundo, segundo a Check Point Research. Dados globais da empresa apontam que companhias do setor sofrem, em média, mais de 1.100 tentativas semanais de ataques cibernéticos.

O avanço das ameaças ocorre em paralelo ao aumento da digitalização das operações logísticas. Segundo a Fortinet, o Brasil registrou mais de 753 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2025.

Segundo a Kaspersky, ataques de ransomware seguem entre as principais ameaças para o setor. Em muitos casos, criminosos conseguem bloquear sistemas de gestão logística, interromper operações e exigir pagamentos para liberar o acesso aos dados.

Outra preocupação envolve ataques à cadeia de suprimentos. Invasores exploram vulnerabilidades em fornecedores de software, parceiros tecnológicos e empresas terceirizadas para acessar sistemas centrais de operadores logísticos e transportadoras.

Roubo de cargas entra no radar

A Kaspersky também aponta aumento do risco de manipulação de sistemas ligados à movimentação de cargas. Segundo a companhia, criminosos podem alterar informações de entrega e redirecionar mercadorias por meio da invasão de plataformas logísticas e sistemas de roteirização.

O avanço dos veículos conectados ampliou ainda mais a preocupação da indústria automotiva. Sistemas de Wi-Fi, Bluetooth, telemetria e módulos eletrônicos embarcados passaram a ser potenciais portas de entrada para invasões.

“Os veículos estão cada vez mais conectados e dependentes de sistemas eletrônicos, o que amplia as possibilidades de exploração de vulnerabilidades por cibercriminosos”, afirmou Roberto Rebouças, gerente geral da Kaspersky no Brasil.

A avaliação do executivo é que a cibersegurança deixou de ser apenas uma preocupação da área de tecnologia e passou a integrar a gestão operacional de transportadoras, operadores logísticos e montadoras.

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