Depois de perder cargas, linhas marítimas e espaço para concorrentes do Sul do país nos últimos anos, o porto de Itajaí (SC) voltou a registrar crescimento relevante nas operações em 2026. A recuperação ocorre após a retomada da gestão pelo governo federal no ano passado e já começa a alterar o cenário operacional do complexo catarinense.
Dados divulgados pela administração portuária mostram que Itajaí movimentou 1,67 milhão de toneladas neste ano, alta próxima de 40% na comparação com o mesmo período de 2025. Na operação de contêineres, a movimentação chegou a 154 mil TEUs, avanço de 68%.
Os números foram apresentados durante o Global Trade Summit SC 2026, realizado em Balneário Camboriú (SC), em meio à tentativa do porto de consolidar sua recuperação operacional após um longo período de instabilidade administrativa e perda de competitividade.
Ao longo dos últimos anos, o complexo viu armadores migrarem parte das operações para outros terminais da região Sul, especialmente Navegantes (SC), Paranaguá (PR) e Itapoá (SC), em um ambiente marcado por incertezas sobre gestão, dragagem e capacidade operacional.
Agora, a administração do porto tenta reposicionar Itajaí na disputa por cargas conteinerizadas e serviços de longo curso. “O porto de Itajaí voltou a ocupar posição de destaque no cenário logístico nacional”, afirmou o superintendente do porto, Artur Antunes Pereira, durante participação em painel sobre infraestrutura portuária no evento.
Considerando todo o complexo portuário, incluindo áreas arrendadas e operações integradas, a movimentação já supera 5,7 milhões de toneladas e 577 mil TEUs em 2026.
Dragagem e acesso
Parte da estratégia de recuperação passa pela tentativa de resolver gargalos históricos do porto, principalmente no canal de acesso. A administração anunciou que deve assinar nos próximos dias o contrato para realização do estudo técnico de remoção do casco da embarcação Pallas, naufragada há mais de um século na região do canal e considerada uma limitação para a navegação de embarcações maiores.
A retirada da estrutura é tratada internamente como etapa importante para ampliar a competitividade do complexo diante da tendência de aumento do porte dos navios utilizados na navegação de contêineres. “Vamos iniciar a remoção dessa embarcação, o que permitir ter as portas do complexo do porto de Itajaí abertas a embarcações de maior porte”, disse Artur Antunes Pereira.
Outro ponto considerado estratégico pela autoridade portuária é a estabilidade da dragagem. Segundo o superintendente, uma nova licitação para manutenção do canal foi concluída no início deste ano, com possibilidade de renovação contratual por até uma década.
A avaliação no setor é que a previsibilidade operacional será decisiva para que Itajaí consiga recuperar escalas regulares e ampliar novamente sua participação na movimentação de contêineres do Sul do país.
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