A pressão global pela descarbonização do transporte marítimo começa a abrir uma nova frente de negócios para o agronegócio e a indústria de biocombustíveis no Brasil. O avanço do etanol produzido a partir do milho, combinado às discussões da International Maritime Organization (IMO) sobre combustíveis alternativos para navegação, vem colocando o país no radar da transição energética do setor naval.
Responsável por aproximadamente 90% do comércio internacional, o transporte marítimo está entre os maiores consumidores de combustível fóssil do mundo e enfrenta crescente pressão regulatória para reduzir emissões até 2050.
Nos últimos anos, armadores, tradings e operadores portuários passaram a acelerar testes e projetos envolvendo combustíveis de menor intensidade de carbono, como metanol, amônia, hidrogênio e biocombustíveis.
Nesse cenário, o etanol brasileiro ganha espaço como alternativa de curto e médio prazo, especialmente pela capacidade de produção em larga escala e pela infraestrutura já existente no País.
A possibilidade de uso do etanol como combustível marítimo pode beneficiar especialmente os estados do Centro-Oeste, onde a produção de milho cresceu fortemente na última década impulsionada pela expansão da segunda safra e da indústria de etanol.

Segundo Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional e coordenadora do núcleo de comércio exterior do CIESP nas regiões de Ribeirão Preto, Franca e Sertãozinho, o movimento pode alterar o posicionamento do Brasil no mercado global de energia.
“A aprovação e o reconhecimento do etanol como alternativa para o transporte marítimo internacional podem representar uma virada histórica para o Brasil. Estamos falando de um mercado gigantesco, responsável pela maior parte do consumo global de combustíveis”, afirmou.
Centro-Oeste em destaque
O Mato Grosso responde atualmente por cerca de 35% a 40% da produção brasileira de milho, consolidando o Centro-Oeste como principal polo potencial para expansão do etanol destinado ao mercado externo. Goiás e Mato Grosso do Sul também vêm ampliando investimentos em usinas flex e produção de biocombustíveis.
Diferentemente da cana-de-açúcar, o etanol de milho permite produção contínua ao longo do ano, característica vista pelo setor como vantagem operacional para atender contratos internacionais de fornecimento em larga escala.
Disputa global
A corrida pelos combustíveis marítimos de baixo carbono mobiliza petroleiras, armadores, tradings agrícolas e governos em diferentes regiões do mundo. Metas mais rígidas para redução de emissões no transporte marítimo já estão em discussão entre países asiáticos e europeus, enquanto grandes companhias de navegação buscam alternativas economicamente viáveis ao bunker tradicional.
“O mundo busca alternativas mais limpas, mas também escaláveis e competitivas. O etanol brasileiro reúne essas características”, disse Cristiane Fais.
Embora a transição energética da navegação seja considerada gradual e de longo prazo, especialistas avaliam que as definições regulatórias em discussão atualmente tendem a influenciar investimentos bilionários nas próximas décadas — incluindo novas rotas de exportação para o agronegócio brasileiro.
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