Frota envelhecida pressiona rodovias mesmo com alta do tráfego

São Paulo mantém avanço da circulação, enquanto Rio registra retração puxada por veículos pesados

Redação

O aumento da circulação nas rodovias brasileiras vem ocorrendo ao mesmo tempo em que cresce a idade média da frota nacional, combinação que amplia preocupações ligadas à segurança viária, eficiência logística e custos operacionais do transporte.

Levantamento da Veloe, empresa brasileira de meios de pagamento automáticos para mobilidade e transporte, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que o fluxo de veículos nas estradas de São Paulo cresceu 8,4% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado.

O desempenho foi puxado tanto por veículos leves quanto pesados e reforça o nível elevado de movimentação no principal corredor logístico do país. Ao mesmo tempo, dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que 37,4% da frota paulista já ultrapassa 20 anos de uso. São Paulo concentra hoje 35,5 milhões de veículos — cerca de 27% da frota nacional — e possui idade média de 18,5 anos.

O cenário expõe um contraste crescente no setor de transportes: enquanto a atividade logística e a circulação seguem em expansão, a renovação da frota avança em ritmo mais lento, pressionada por juros elevados, aumento dos custos operacionais e encarecimento dos veículos novos.

Pesados recuam no Rio

No Rio de Janeiro, o comportamento do tráfego mostrou uma dinâmica diferente. Embora o fluxo nas rodovias tenha avançado 5,7% em abril na comparação anual, o estado acumula retração de 1,3% no movimento rodoviário nos primeiros quatro meses do ano.

Segundo o levantamento, o principal impacto veio da queda na circulação de veículos pesados, que recuaram 4,5% no acumulado de 2026. Para operadores do setor, o desempenho pode refletir desaceleração pontual da atividade logística e menor movimentação de cargas em comparação ao ritmo observado em São Paulo.

A frota fluminense também apresenta envelhecimento relevante. Segundo a Senatran, 36,3% dos veículos do estado têm mais de 20 anos, enquanto a idade média chegou a 18,1 anos. O Rio possui atualmente cerca de 8,3 milhões de veículos.

Renovação lenta preocupa setor

O envelhecimento da frota vem ganhando espaço nas discussões sobre segurança, emissões e produtividade do transporte brasileiro. Veículos mais antigos tendem a apresentar maior consumo de combustível, custos mais altos de manutenção e índices maiores de emissão de poluentes.

Além disso, especialistas apontam impactos diretos sobre disponibilidade operacional e segurança viária, principalmente no transporte rodoviário de cargas. “O envelhecimento dos veículos em circulação tem impacto direto sobre segurança viária, eficiência logística, custos operacionais e sustentabilidade da mobilidade”, afirmou Mauro Kondo, superintendente de Negócios B2B da Veloe.

Apesar do avanço gradual de modelos híbridos e elétricos, a participação desses veículos ainda permanece baixa nas duas maiores economias do Sudeste. Em São Paulo, por exemplo, elétricos e híbridos representam apenas 0,7% da frota em circulação.

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