Avanço do Arco Norte amplia dependência logística do Rio Tapajós

Crescimento recorde da hidrovia expõe importância estratégica — e vulnerabilidade — da navegação amazônica

Redação

O avanço do Arco Norte no escoamento da produção agrícola brasileira vem aumentando a dependência logística do país em relação ao Rio Tapajós, corredor que ganhou peso estratégico nas exportações de grãos, mas que também passou a enfrentar riscos crescentes ligados às secas na Amazônia.

Dados do setor mostram que a hidrovia movimentou 16,8 milhões de toneladas em 2025, alta de 14,3% sobre o ano anterior. O crescimento foi puxado principalmente pelo transporte de soja e milho produzidos no Mato Grosso e embarcados em Miritituba (PA) com destino aos terminais de Santarém e Barcarena.

Hoje, quase 90% da movimentação do Tapajós está ligada ao agronegócio.

O corredor se consolidou nos últimos anos como uma das principais alternativas aos portos do Sul e Sudeste, reduzindo distâncias até mercados internacionais e diminuindo custos logísticos das exportações brasileiras.

Ao mesmo tempo, o aumento da concentração operacional na região ampliou a preocupação do setor com a vulnerabilidade climática da navegação amazônica.

Nos últimos anos, períodos de estiagem severa reduziram o nível de rios estratégicos da região Norte, afetando o transporte de combustíveis, fertilizantes, grãos e contêineres e obrigando operadores a reduzir carga embarcada para manter a navegação.

Mesmo em um cenário de seca moderada neste início de ano, a movimentação seguiu em alta. No primeiro bimestre de 2026, a hidrovia transportou 2,38 milhões de toneladas.

Escala operacional aumenta

O crescimento da operação também elevou a escala logística do corredor amazônico. Comboios com até 36 barcaças passaram a operar na hidrovia, com capacidade próxima de 110 mil toneladas por viagem.

Além da soja e do milho, a movimentação de fertilizantes cresceu 46,8% em 2025, enquanto petróleo e derivados avançaram 40%, ampliando a importância do Tapajós não apenas para exportações, mas também para abastecimento regional.

Com o aumento da movimentação, operadores pressionam por investimentos permanentes em dragagem, sinalização náutica e derrocamento para reduzir restrições operacionais durante períodos de estiagem.

O tema ganhou força após o governo federal avançar nas discussões sobre a concessão da hidrovia à iniciativa privada, modelo que prevê investimentos em gestão da navegação e monitoramento operacional.

Embora o setor considere o transporte hidroviário mais eficiente e menos emissor de carbono do que o rodoviário, especialistas avaliam que o crescimento acelerado do Arco Norte tornou a logística brasileira mais dependente das condições climáticas da Amazônia — um fator que passou a ter peso crescente no planejamento das exportações nacionais.

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