Mercedes-Benz reforça integração entre Brasil e Argentina para enfrentar avanço chinês na América Latina

Segundo a empresa, a escala regional e a proximidade logística dentro do Mercosul seguem como vantagens estruturais frente a produtos importados de menor custo inicial

Aline Feltrin

De Zárate, Argentina – A Mercedes-Benz Camiones y Buses aposta na integração produtiva entre Brasil e Argentina e no fortalecimento das exportações regionais como pilares para sustentar competitividade na América Latina em meio à pressão crescente de marcas chinesas e à volatilidade do mercado argentino.

Durante a inauguração do novo complexo industrial de Zárate, executivos da companhia destacaram que o investimento de aproximadamente US$ 110 milhões (R$ 572 milhões na cotação atual) nos últimos quatro anos busca otimizar a base produtiva local, reforçar a liderança em caminhões e ônibus e ampliar a eficiência logística dentro do Mercosul.

A nova planta consolida um modelo de produção especializado em veículos comerciais, com foco em caminhões e ônibus, além de atividades de remanufatura de componentes como motores e transmissões — estratégia que, segundo a empresa, reduz custos, aumenta disponibilidade de peças e amplia a sustentabilidade do ciclo de vida dos produtos.

“É uma indústria global, mas altamente dependente de escala e sinergias entre regiões. A planta na Argentina está conectada à operação no Brasil, com fluxo de componentes em ambos os sentidos”, afirmou a Raúl Barcesat, presidente e CEO da Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus Argentina, destacando o papel da integração com São Bernardo do Campo.

O modelo operacional reforça a lógica de rede produtiva na América Latina, em que o Brasil atua como hub de componentes e desenvolvimento tecnológico, enquanto a Argentina concentra montagem e atendimento a mercados locais e de exportação.

A estratégia ganha relevância em um cenário de abertura comercial gradual da Argentina e aumento da concorrência de fabricantes asiáticos. Segundo a empresa, a escala regional e a proximidade logística dentro do Mercosul seguem como vantagens estruturais frente a produtos importados de menor custo inicial.

No mercado argentino de veículos comerciais, a Mercedes-Benz mantém participação superior a 30% em caminhões e cerca de 60% em ônibus no ano anterior. O país registrou aproximadamente 17 mil caminhões e 3 mil ônibus emplacados em 2025, totalizando cerca de 20 mil unidades. Dentro desse cenário, a montadora respondeu por cerca de 5.900 caminhões e mais de 2.000 ônibus emplacados.

Mudança no perfil das importações

As marcas chinesas vêm ampliando rapidamente sua presença no mercado argentino, impulsionadas pela abertura recente das importações e pela estratégia agressiva de expansão na região. Em alguns recortes do mercado de veículos importados, essas marcas já respondem por quase 10% das vendas, posicionando a China como o terceiro principal fornecedor de veículos estrangeiros no país.

O movimento é sustentado por um aumento acelerado de embarques e pela entrada de novos players com preços mais competitivos, o que tem intensificado a pressão sobre fabricantes tradicionais e reforçado a mudança na composição do mercado automotivo argentino.

A indústria local opera em um mercado relativamente pequeno. A nova planta de Zárate foi estruturada para uma capacidade inicial de aproximadamente 17 unidades por dia na fase de ramp-up, o que reforça a necessidade de exportações para sustentar escala industrial.

A companhia avalia que o crescimento futuro dependerá menos do mercado doméstico e mais da inserção regional, especialmente América Latina e mercados selecionados de exportação. No período citado, a produção local ficou em torno de 5 mil unidades, enquanto cerca de 300 ônibus OH foram exportados ao México, ainda em fase de consolidação comercial.

Pressão chinesa e estratégia de valor

Executivos da Mercedes-Benz reconheceram o avanço de novos competidores globais, especialmente fabricantes chineses, mas destacaram que o diferencial do segmento de veículos comerciais vai além do preço de aquisição. “Caminhões e ônibus exigem serviço ao longo de todo o ciclo de vida. Sem rede de pós-venda e suporte operacional, o veículo não se sustenta economicamente”, afirmou a empresa, ao citar a complexidade logística da Argentina, com mais de 45 pontos de atendimento.

A companhia também reforçou que o foco não está em competir apenas em preço, mas em custo total de propriedade (TCO), incluindo manutenção, disponibilidade e eficiência operacional.

A integração com o Brasil segue como elemento central da estratégia regional. Componentes produzidos no mercado brasileiro abastecem a Argentina, enquanto parte da produção argentina é direcionada a outros mercados latino-americanos.

A empresa também destacou a importância de acordos comerciais e do ambiente regulatório do Mercosul para sustentar o fluxo produtivo regional e ampliar competitividade frente a fornecedores externos.

No horizonte tecnológico, a Mercedes-Benz avalia que a transição para veículos de emissão zero na América Latina será mais lenta do que na Europa, devido à infraestrutura de recarga e disponibilidade energética. A estratégia, segundo a companhia, é acompanhar a evolução da demanda e adaptar soluções

A jornalista viajou a convite da Mercedes-Benz

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