Venda de caminhões cai mais de 15% em 2026

Emplacamentos seguem em queda no acumulado do ano, pressionados por juros altos e custo do diesel, mas leve estabilidade mensal indica possível virada com reforço do crédito

Aline Feltrin

As vendas de caminhões no Brasil continuam em trajetória de queda em 2026, refletindo um ambiente ainda adverso para o transporte rodoviário de cargas. Pressionado por juros elevados, custo do diesel e maior cautela nos investimentos, o setor acumula retração expressiva no primeiro quadrimestre, embora sinais recentes apontem para uma possível estabilização.

Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que foram emplacados 8.661 caminhões em abril, volume praticamente estável frente a março (8.766 unidades), mas 1,2% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram licenciadas 8.951 unidades.

No acumulado entre janeiro e abril, o segmento soma 30.411 unidades, uma queda de 15,28% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram vendidos 35.897 caminhões — um recuo que escancara a perda de ritmo do setor.

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Crédito caro e preço diesel travam decisões

O desempenho reforça a forte dependência do mercado de caminhões das condições macroeconômicas. Custo do crédito, nível de atividade e demanda por frete seguem como variáveis decisivas para a renovação de frota.

Segundo o presidente da Fenabrave, a Arcelio Junior, o transportador tem adotado postura mais cautelosa diante do cenário. O impacto é mais evidente entre autônomos e pequenas transportadoras, que enfrentam maior dificuldade de acesso a financiamento e tendem a adiar investimentos.

Apesar da retração anual, a leve estabilidade na comparação mensal sugere que o mercado pode estar entrando em fase de acomodação. O movimento coincide com os primeiros efeitos do programa Move Brasil, que ampliou os recursos disponíveis para financiamento de veículos pesados.

Entre fevereiro e março, o programa chegou a impulsionar um crescimento superior a 49% nas vendas de caminhões pesados, sinalizando que o crédito continua sendo a principal alavanca do setor. “Foi fundamental para a redução da queda em abril, considerando que o maior volume comercializado teve maior pico inicial em março, e os reflexos dos volumes comercializados em abril ainda serão contabilizados.”

Ainda assim, o impacto mais amplo tende a aparecer apenas nos próximos meses, já que o ciclo de compra e entrega de caminhões é mais longo do que em outros segmentos automotivos.

Recuperação será lenta e dependente da economia

Para o restante de 2026, a expectativa é de recuperação gradual. A ampliação do Move Brasil — agora com mais de R$ 21 bilhões — é vista como um fator relevante para estimular a renovação de frota.

O ritmo, porém, seguirá condicionado à trajetória dos juros, ao custo do diesel e à confiança dos transportadores. Sem melhora consistente nesses indicadores, o setor deve continuar operando em marcha lenta, mesmo com estímulos ao crédito.

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