Frete em recessão acelera mudança estrutural nas frotas

Relatório aponta diversificação energética, pressão de custos e avanço da IA como respostas à nova complexidade operacional

Redação

O transporte rodoviário de cargas entrou em uma fase de adaptação estrutural, marcada por decisões mais pragmáticas e maior complexidade operacional. É o que indica o relatório State of Sustainable Fleets 2026, divulgado pela TRC Companies durante a ACT Expo 2026, nos Estados Unidos. Embora centrado no mercado norte-americano, o relatório antecipa tendências que tendem a influenciar operadores em outros mercados, incluindo o Brasil.

O estudo mostra que a combinação de três anos consecutivos de recessão no frete norte-americano, instabilidade regulatória e aumento de custos vem forçando operadores a rever estratégias. Em vez de apostar em uma única tecnologia, as empresas passam a adotar uma abordagem mais resiliente, baseada na diversificação de sistemas de propulsão, combustíveis e soluções digitais. Analistas ouvidos no relatório classificam o momento como o “ambiente operacional mais complexo da história moderna do transporte rodoviário”.

Custos redefinem decisões

Entre os principais vetores está o aumento do custo de renovação de frota. O relatório aponta que tarifas podem adicionar até US$ 35 mil ao preço de um caminhão novo, ao mesmo tempo em que houve a revogação de normas federais de emissões e a redução de incentivos para veículos de emissão zero, que anteriormente chegavam a até US$ 40 mil por unidade.

Esse cenário reforça uma mudança relevante na lógica de decisão. A adoção de novas tecnologias deixa de ser guiada prioritariamente por metas ambientais e passa a ser determinada por viabilidade econômica e impacto direto na operação.

Na prática, o custo total de propriedade volta ao centro das estratégias, limitando a adoção mais acelerada de soluções como a eletrificação pesada, sobretudo em operações de longa distância.

Diversificação energética ganha força

A transição energética, segundo o relatório, passa a seguir um modelo híbrido. Em vez de uma substituição direta do diesel, o relatório aponta o avanço do uso combinado de diferentes fontes de energia, com destaque para combustíveis renováveis, gás natural e eletrificação em aplicações específicas.

A estratégia busca reduzir emissões sem comprometer a operação, especialmente em um ambiente de margens pressionadas e alta volatilidade de custos. Esse movimento indica que a transição tende a ser gradual e adaptada às características de cada operação.

O avanço dos veículos elétricos segue consistente, mas ainda concentrado em nichos operacionais mais previsíveis, como distribuição urbana e operações regionais. Limitações relacionadas ao custo das baterias, à autonomia e à infraestrutura continuam restringindo a expansão para o transporte rodoviário de longa distância, que permanece dependente de soluções convencionais ou híbridas.

Infraestrutura e regulação travam a transição

O relatório também destaca gargalos estruturais relevantes, especialmente na infraestrutura energética. A ampliação da capacidade elétrica e o acesso à rede aparecem como desafios importantes, tanto pelo custo quanto pelo tempo de implementação.

Ao mesmo tempo, a instabilidade regulatória aumenta a incerteza para decisões de investimento. Mudanças em políticas públicas e incentivos reduzem a previsibilidade necessária para projetos de longo prazo. Ainda assim, o estudo estima que existam mais de US$ 5 bilhões por ano disponíveis até 2028 em programas estaduais, locais e de utilities voltados ao apoio de frotas mais limpas.

Digitalização e IA

Além da transição energética, a digitalização se consolida como eixo central de competitividade. O relatório aponta que cerca de metade das frotas já utiliza algum tipo de inteligência artificial em suas operações, especialmente em aplicações voltadas à otimização de rotas, despacho, manutenção preditiva e diagnósticos.

A tendência é de expansão desse uso, com aumento da presença dessas tecnologias na gestão de frotas nos próximos anos, impulsionando ganhos de eficiência, previsibilidade e redução de custos operacionais.

Adaptação, não retração

Apesar do ambiente adverso, o estudo indica que o setor não está em retração, mas em processo de ajuste. Operadores têm revisado suas estratégias para lidar com um cenário marcado por volatilidade, múltiplas tecnologias e maior exigência por eficiência operacional.

Para o mercado brasileiro, a leitura reforça tendências já em curso, como o avanço da digitalização, a busca por eficiência energética e a adoção gradual de soluções híbridas. O movimento aponta que a transformação do transporte rodoviário vai além da eletrificação e passa a envolver uma reconfiguração mais ampla da operação, com foco em resiliência, previsibilidade e controle de custos.

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