A MWM, subsidiária da Tupy, levou ao segmento de caminhões pesados uma solução de retrofit a gás — e já começa a enxergar demanda em operações com rotas previsíveis e abastecimento controlado. A tecnologia apresentada na Agrishow 2026 aplicada a um DAF XF 530 e consiste na substituição do motor a diesel por um propulsor novo a gás, apto a operar com biometano ou gás natural, além de incluir toda a infraestrutura de armazenamento e abastecimento.
Segundo Cristian Malevic, vice-presidente deenergia e descarbonização da companhia, trata-se da primeira aplicação real da solução em um caminhão pesado. “É parte de um conjunto de soluções para mobilidade sustentável. Trouxemos esse veículo justamente por ser a primeira vitrine prática da tecnologia nesse segmento”, afirma.
A aposta da empresa está concentrada em nichos onde a equação econômica e operacional favorece a troca do diesel. Entre eles, destacam-se operações com biometano de aterro sanitário. “São rotas curtas, repetitivas, com abastecimento feito dentro da própria planta. Isso elimina uma das principais barreiras do gás, que é a infraestrutura”, diz.
O investimento estimado para o transportador gira em torno de R$ 350 mil por veículo. A MWM também destaca a possibilidade de reversão para o diesel, caso o caminhão precise ser deslocado para regiões sem oferta de gás. “Nesse caso, o custo adicional se limita basicamente à mão de obra”, afirma o executivo.
A entrada nos pesados é resultado de uma agenda iniciada há cerca de cinco anos, ancorada na redução simultânea de emissões e custo operacional. O ponto de partida foram as usinas sucroenergéticas, com projetos voltados à substituição de frotas a diesel por veículos movidos a biometano produzido internamente. “Começamos com a Cocal e avançamos para outras usinas. Hoje, diversas operações já utilizam a solução”, diz.
A partir daí, a empresa expandiu o escopo para aplicações com motores de até 300 cavalos no transporte de veículos, atendendo à pressão de montadoras por cadeias logísticas mais limpas. Segundo a companhia, operadores do segmento já adotam o gás para reduzir emissões e material particulado no transporte de veículos novos.
A tecnologia também vem sendo testada em outras frentes, como distribuição urbana e operações híbridas do ponto de vista energético. “Há casos em que o cliente já utiliza eletrificação, mas precisa de uma alternativa para rotas mais longas. O gás entra como complemento”, afirma.
Mais recentemente, a MWM avançou no setor de resíduos, com a entrega de 100 caminhões para coleta e transporte no município do Rio de Janeiro, operando com biometano gerado no próprio aterro. O modelo reforça a lógica de integração entre produção e consumo do combustível.

Parceria com chinesa amplia portfólio
Para sustentar a expansão, a companhia firmou no fim de 2025 uma parceria com a chinesa Yuchai, com foco em complementar o portfólio em diferentes aplicações. O acordo abrange desde geração de energia — incluindo grupos geradores de grande porte e data centers — até motores marítimos e soluções veiculares. “A China acumulou experiência relevante no uso de gás em diversas aplicações, o que acelerou o desenvolvimento dessa tecnologia”, afirma Malevic.
A estratégia da MWM é combinar esse conhecimento com a engenharia local. Segundo o executivo, o centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa em São Paulo — o maior da América Latina no segmento — permitirá adaptar as soluções às especificidades do mercado brasileiro, incluindo aplicações como coleta de resíduos, transporte urbano e rodoviário.
No segmento pesados, a aposta inicial recai sobre o XF 530, mas a companhia já está em conversas com outras montadoras. Durante a Agrishow, a expectativa da empresa é converter o interesse em contratos, especialmente com usinas. “O segundo dia da feira costuma ser mais efetivo. Devemos ter avanços”, afirma, sem abrir números
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



