Em um cenário de crédito caro e mais escasso para o agronegócio, o Banco Mercedes-Benz decidiu abrir mão da sua margem nas operações de financiamento para viabilizar a venda de caminhões durante a Agrishow. A instituição lançou na feira uma linha de Finame com spread zero, condicionada à contratação de um pacote que inclui seguro do veículo e proteção financeira. Com isso, o custo final para o cliente fica restrito basicamente à taxa do BNDES, garantiu um eexcutivo da instituição ouvido por Transporte Moderno.
O spread bancário é justamente a margem que as instituições financeiras adicionam sobre o custo de captação — neste caso, os recursos do BNDES — para remunerar a operação de crédito. Ao zerar esse ganho, o banco reduz o custo final da operação, que passa a refletir basicamente apenas a taxa básica do financiamento do BNDES, garantiu um executivo da instituição ouvido por Transporte Moderno.
Na prática, a medida reduz significativamente o custo do crédito. Segundo o banco, a taxa efetiva pode girar em torno de 1% ao mês, dependendo do prazo — geralmente de até 60 meses — e do perfil do cliente. A condição é válida apenas durante a feira e limitada a um volume específico de operações. “É uma forma de mostrar que o banco está atuando como parceiro.
A iniciativa ocorre após o esgotamento dos recursos do programa federal de renovação de frota, o Move Brasil, e em um ambiente de juros elevados, que tem dificultado o acesso ao financiamento, especialmente para pequenos e médios produtores. Sem novos subsídios diretos para caminhões — ao contrário das máquinas agrícolas, que receberam novos aportes do governo —, montadoras e instituições financeiras têm buscado alternativas para manter o fluxo de vendas.
Nesse contexto, a Mercedes-Benz estruturou na feira uma estratégia mais ampla para lidar com um cliente mais cauteloso. Segundo Jaqueline Hilsdorf, gerente sênior de vendas de caminhões da regional São Paulo da companhia, a empresa ampliou o leque de soluções e reforçou a atuação dos concessionários no atendimento direto ao cliente, com negociações mais customizadas.
Logo no primeiro dia da Agrishow, a montadora negociou pouco mais de 50 caminhões, desempenho considerado positivo para a abertura do evento, tradicionalmente mais lenta. Parte desse resultado já reflete a atuação do banco, que entra tanto na ponta final da venda quanto em operações estruturadas posteriormente, quando o cliente busca financiamento.
Locação, consórcio e peças
Além do crédito, a montadora tem reforçado alternativas como locação, consórcio e venda de usados, além da oferta de peças remanufaturadas para reforma da frota. A estratégia busca diluir o impacto do investimento inicial e manter o cliente ativo, mesmo quando a compra de um caminhão novo não é viável.
No produto, a empresa aposta em modelos mais versáteis para o agro, com adaptação para uso misto entre rodovias e operações dentro da fazenda. Entre os destaques estão o Axor, relançado no ano passado e que tem sustentado o desempenho no segmento de pesados, e o Actros 2653. A companhia também prepara o lançamento do modelo 3433, com maior capacidade de carga.
Apesar do desempenho inicial positivo, a avaliação do setor é de um mercado mais seletivo em 2026. Com juros elevados e crédito mais restrito, a tendência é de um ano menos marcado por expansão e mais por ajustes, com bancos e montadoras dividindo o esforço para sustentar as vendas.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



