Multilog quer dobrar de tamanho até 2028 com R$ 3 bi em receita

companhia amplia capacidade instalada e reposiciona operações no Sul e Sudeste, mas alerta para impacto da inflação de custos e gargalos estruturais no setor de transporte

Aline Feltrin

A Multilog, operadora logística, projeta dobrar de tamanho em três anos com base em crescimento orgânico e reposicionamento de ativos, mas enfrenta um cenário desafiador marcado por gargalos de infraestrutura e alta de custos — especialmente no transporte rodoviário.

Em entrevista à Agência Transporte Moderno, o CEO, Djalma Vilela, detalhou a estratégia da companhia, que prevê alcançar R$ 3 bilhões em receita até 2028, ante R$ 1,5 bilhão registrados em 2025. Para 2026, a expectativa é atingir R$ 1,8 bilhão.

Segundo o executivo, o crescimento será sustentado pelo aumento da capacidade instalada e pela reconfiguração das operações, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. “Estamos ampliando a oferta diária em cerca de 30%, atendendo uma demanda que hoje não conseguimos capturar plenamente”, afirma.

Diferentemente de outras empresas do setor, a Multilog não considera aquisições nesse ciclo de expansão. “Quando falamos em dobrar de tamanho, é exclusivamente via crescimento orgânico, a partir do reposicionamento dos nossos sites”, diz.

A estratégia da empresa se apoia em três frentes: recintos alfandegados, centros de distribuição e transporte. A expansão será proporcional entre essas verticais, com foco em aumentar eficiência e capturar demanda reprimida.

“O crescimento vem da capacidade instalada. Hoje temos limitações operacionais que nos impedem de atender todo o mercado potencial”, afirma Vilela.

A companhia também aposta em um modelo asset light no transporte, com menos de 60 ativos próprios e forte atuação na gestão de fretes. “Não somos uma transportadora tradicional, mas um integrador logístico. Oferecemos uma solução completa, o que nos permite ser competitivos no custo total logístico”, diz.

Infraestrutura e custos pressionam operação

Apesar do otimismo com o crescimento, o CEO chama atenção para o aumento dos custos logísticos, especialmente no transporte rodoviário, pressionado pela alta do diesel em meio a tensões geopolíticas.

Segundo o executivo, o impacto recente foi de cerca de 15% no custo de frete — valor que a empresa não consegue repassar integralmente aos clientes.

“O diesel representa de 40% a 45% do custo do frete. Esse aumento gera um efeito em cascata e pressiona toda a operação”, afirma.

A situação se agrava com a elevação de custos em cadeias ligadas ao petróleo, como o polietileno, que já registra aumentos de até 30% em alguns casos.

Riscos para o crescimento

Embora o primeiro semestre esteja dentro do planejado, a companhia admite que o desempenho do segundo semestre será decisivo para manter as projeções. “Se o cenário não melhorar, especialmente na vertical de transporte, pode haver impacto nas nossas metas. É um risco real”, diz Vilela.

A empresa trabalha com planejamento semestral e avalia constantemente os desdobramentos macroeconômicos. Ainda assim, mantém uma visão positiva sobre o país. “O Brasil é desafiador, mas tem enorme potencial de consumo e uma geografia privilegiada. Continuamos acreditando no crescimento de longo prazo”, afirma.

Diante do aumento do custo logístico no país — que já figura entre os mais altos do mundo —, a Multilog aposta na integração de serviços como diferencial. Ao oferecer soluções completas, que incluem armazenagem alfandegada, distribuição e transporte, a empresa busca diluir custos e aumentar eficiência para o cliente final.

“Quando o cliente compara contratar três fornecedores ou uma solução integrada, conseguimos ser competitivos no custo total logístico”, diz. A estratégia, segundo o CEO, será fundamental para sustentar o crescimento projetado — desde que os desafios externos não se intensifiquem.

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