Fracht Log supera plano inicial no Pecém e já mira nova onda de crescimento

Com ocupação acima do previsto e foco em cargas frias, Fracht Log acelera expansão no Nordeste e reforça aposta no Brasil como hub logístico estratégico

Aline Feltrin

A Fracht Log, braço logístico do grupo suíço Fracht, fechou os seis primeiros meses de operação de seu terminal no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE) com resultados acima do planejado e já prepara uma nova fase de expansão comercial, com foco em cargas de maior volume e no uso intensivo da área externa.

Inaugurado como um projeto greenfield, o terminal recebeu investimento de cerca de R$ 120 milhões e surgiu para preencher uma lacuna logística relevante na região: a ausência de infraestrutura dedicada ao armazenamento de cargas refrigeradas e congeladas no porto cearense. Em operação desde o segundo semestre de 2025, o ativo rapidamente ganhou tração.

O diretor-geral da Fracht Log, Thiago Abreu, disse à Agência Transporte Moderno que a companhia projetava atingir cerca de 40% de ocupação no início das operações, mas alcançou aproximadamente 60% em diferentes frentes já no primeiro semestre. “Conseguimos superar a expectativa inicial, principalmente com cargas congeladas, onde hoje armazenamos cerca de duas mil toneladas de pescados a menos 22 graus”, afirma.

No período, o terminal movimentou mais de 5,2 mil toneladas, com predominância de cargas importadas (75%), reflexo da rápida absorção da estrutura por mercados do Nordeste. Entre os principais produtos estão pescados — como sardinha e atum — além de alimentos congelados, como batata frita e sorvetes importados.

Além do segmento de frio, o terminal também opera cargas secas, com ocupação próxima a 60% no armazém dedicado. Entre os itens movimentados estão bobinas de aço, equipamentos como empilhadeiras, materiais para construção civil e utensílios domésticos. Um dos contratos recentes envolve a armazenagem e unitização de cargas vindas da Ásia, com uso intensivo da estrutura de paletização para ganho de eficiência e rastreabilidade.

A operação também inclui cargas com controle de temperatura intermediária, como alho armazenado entre 3°C e 10°C, destinado à distribuição para redes de alimentação e hotelaria.

Foco em expansão e cargas de grande porte

Para os próximos meses, a estratégia da Fracht Log passa por ampliar a ocupação do pátio externo, área de 65 mil metros quadrados ainda subutilizada. A ideia é atrair operações de armazenagem de contêineres vazios e cargas de projeto, de maior porte e menor necessidade de manuseio intensivo.

“Queremos direcionar cargas estáticas para o pátio aberto, reduzindo custos operacionais e liberando o armazém coberto para cargas de maior giro ou que exigem controle mais sensível, como as refrigeradas”, diz Abreu.

Nesse contexto, a empresa já negocia contratos relevantes ligados a novos investimentos industriais na região. Um dos principais vetores é a instalação de um data center do TikTok no Ceará, cuja obra deve demandar cerca de 1.500 contêineres ao longo de 18 meses. Parte dessas cargas exigirá controle de temperatura, o que abre espaço para uso combinado de áreas internas e externas do terminal.

A empresa também já fechou contratos para locação de áreas administrativas dentro do complexo, com clientes ocupando parte dos mil metros quadrados disponíveis para escritórios.

Brasil no radar global

O desempenho inicial do terminal reforça o interesse do grupo Fracht em ampliar sua presença na América Latina, com o Brasil como peça central. Fundada em 1955 e com sede na Basileia, a companhia opera em mais de 80 países e conta com cerca de 180 escritórios.

De acordo com Abreu, o grupo vê o Brasil como mercado estratégico, tanto pelo crescimento da movimentação portuária — que tem avançado cerca de 20% — quanto por gargalos logísticos nos portos do Sul e Sudeste, que enfrentam limitações de capacidade.

“O Pecém tem vantagens competitivas importantes, como localização estratégica para rotas internacionais e capacidade de receber navios de grande porte, com calado superior a 15 metros. Isso coloca o porto como uma alternativa relevante para descongestionar outros hubs”, afirma.

Em 2026, os investimentos do grupo no Brasil somaram cerca de US$ 25 milhões, sendo US$ 20 milhões destinados ao terminal no Ceará e US$ 5 milhões para a construção de duas balsas voltadas ao setor de óleo e gás, com operação prevista para 2027.

A definição de novos aportes dependerá do próximo ciclo de planejamento global, mas, segundo o executivo, o país segue no radar. “O Brasil tem chamado atenção dentro da estratégia do grupo, especialmente pelo potencial de crescimento e pela integração com mercados internacionais.”

Apesar do curto período de operação, o terminal já atingiu o ponto de equilíbrio operacional (break-even), segundo a companhia. A expectativa é iniciar o retorno do investimento até o fim de 2027, à medida que a ocupação avance e novos contratos sejam incorporados.

Para a Fracht Log, o desempenho inicial valida a aposta no Pecém como um novo polo logístico para o chamado Arco Norte e reforça a estratégia de diversificação geográfica da operação no país.

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