A Scania avança na ampliação da sua rede de pós-venda dedicada a caminhões a gás no Brasil e reforça a aposta no segmento como eixo de crescimento, em um cenário de crédito restrito e renovação lenta de frota. Hoje, a montadora conta com 36 pontos de serviços já preparados para caminhões a gás, estrutura que deve chegar a 50 até o fim do ano, segundo informou Pietro Nistico Neto, gerente de desenvolvimento de serviços da Scania Operações Comerciais Brasil.
O avanço acompanha uma frota que já supera cerca de 2 mil veículos e tende a se aproximar de 2,5 mil unidades nos próximos meses, formando a base para a consolidação de um ecossistema de serviços mais estruturado no país. Segundo Neto, embora a frota já seja relevante para o pós-venda, ainda há variação nos números totais, já que parte das unidades inclui também ônibus a gás. “Já é uma frota considerada para trabalhar o pós-venda”, afirma.
A expansão da rede de pós-venda não ocorre de forma imediata, mas segue a lógica de demanda e maturidade do mercado. Segundo Neto, o modelo considera o ritmo de adoção da tecnologia e a capacidade das concessionárias de absorver investimentos.
“Nós temos hoje cerca de 250 pontos na rede. Se imaginarmos um cenário em que todos os clientes usassem caminhões a gás, precisaríamos estar preparados. Mas sabemos que não é assim na prática. Então vamos avançando conforme os sinais da rede de concessionárias”, explica. A fabricante sueca trabalha com um mapeamento periódico da rede, que atualiza os pontos já preparados e aqueles em fase de implementação.
“A rede recebe a cada dois meses um mapa com todos os pontos prontos e os planejados. A partir disso, vamos avançando conforme o sinal da rede e da demanda do cliente”, diz. O processo de preparação das concessionárias exige estrutura específica para atendimento de caminhões a gás. “Temos um setup definido: box dedicado, ferramentas específicas e treinamento técnico. Não é algo que se faz em um mês. Em média, leva cerca de seis meses para deixar uma concessionária pronta”, afirma Neto.
Ele destaca que a expansão precisa ser gradual para evitar investimentos ociosos na rede. “Se preparássemos tudo de uma vez, correríamos o risco de ter estrutura parada sem demanda. Então vamos avançando com bom senso e de acordo com o mercado”, diz.
O crescimento da base instalada é o principal motor da estratégia. A Scania projeta vender cerca de 500 caminhões a gás até o fim de 2026, consolidando o Brasil como seu principal mercado global na América Latina para a tecnologia.
Segmento em expansão
Embora em expansão, o segmento ainda representa menos de 1% dos emplacamentos de veículos pesados no país, o que reforça seu estágio inicial de desenvolvimento. O cenário de juros elevados e restrição de crédito segue impactando o comportamento dos transportadores, tanto na renovação de frota quanto na gestão operacional.
Nesse contexto, a Scania reforça contratos de manutenção como forma de garantir previsibilidade de custos e maior controle financeiro ao cliente. “O cliente vem sendo pressionado em relação aos custos, principalmente pela imprevisibilidade do combustível. A manutenção é o único componente que permite previsibilidade”, afirma Fernando Valiate, diretor de serviços da operação brasileira.
“O contrato permite fixar um valor e dar mais estabilidade ao cliente no fim do mês”, complementa. A ampliação gradual da rede também busca evitar capacidade ociosa nas concessionárias, já que a demanda ainda está em formação.Segundo o executivo, a lógica é ajustar o investimento ao ritmo real de adoção da tecnologia. “Desenvolvemos a rede de acordo com a demanda do cliente. Ele é a nossa referência. Quando surge a demanda, começamos a estruturar”, explica.
A estratégia da Scania é integrar venda, operação e pós-venda ao longo de todo o ciclo de vida do veículo, garantindo disponibilidade, previsibilidade de custos e preservação do valor de revenda. Na prática, o avanço da rede acompanha o crescimento da frota e dá suporte à consolidação do gás como principal tecnologia de transição no transporte pesado brasileiro.
Crescimento sustentado por serviços
De forma geral, a Scania projeta manter em 2026 o crescimento de 15% no seu pós-venda, mesmo em um cenário de juros altos. A área já responde por cerca de 20% da receita global da companhia. O avanço será sustentado por quatro pilares: peças, contratos, rede e disponibilidade. Entre eles, os contratos de manutenção ganham destaque, com previsão de crescimento de 40% no próximo ano.
A companhia também aposta em novos produtos, como o PRO Start, voltado a veículos usados e com foco na redução de custos de manutenção. A digitalização reforça essa estratégia: cerca de 100 mil veículos no Brasil já estão conectados, permitindo manutenção baseada no uso real, além de diagnóstico remoto e suporte 24 horas.
Com isso, a rede de serviços deve ganhar mais 26 pontos no próximo ciclo de expansão. Mesmo com iniciativas em todas as frentes, a projeção de crescimento foi mantida em 15%, refletindo o equilíbrio entre maior demanda por serviços e a postergação de manutenção em um ambiente financeiro mais restritivo.
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