O aumento do preço do querosene de aviação (QAV), que já responde por cerca de 35% dos custos da operação cargueira, tem pressionado as margens do transporte aéreo no Brasil e acendido um alerta no setor. Ainda assim, a diretora-geral da Gollog, Patricia Bello, afirmou à agência Transporte Moderno que não pretende reduzir voos ou capacidade, especialmente nas operações ligadas ao e-commerce.
A companhia iniciou 2026 na liderança do transporte aéreo de cargas no país, com 42% de participação de mercado no primeiro bimestre, impulsionada principalmente pela parceria com o Mercado Livre e pela expansão da capacidade cargueira, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
No ano passado, a empresa havia encerrado com cerca de 40% de market share, consolidando sua posição como maior operação aérea de cargas do país ao considerar tanto voos cargueiros quanto o transporte em porões de aeronaves de passageiros. “O Mercado Livre hoje representa mais da metade do nosso volume transportado”, afirmou Patricia Bello.
A operação dedicada ao e-commerce conta atualmente com nove aeronaves cargueiras. A mais recente foi incorporada à frota no fim de 2025 como parte da estratégia para viabilizar entregas no mesmo dia — especialmente nos chamados “prime hours”, durante a madrugada. A aeronave adicional também tem sido utilizada para explorar novos nichos, como o mercado de fretamento aéreo (charter), que vem ganhando tração no país.
Automotivo impulsiona voos dedicados
Segundo a executiva, o segmento de charter (fretamento de aeronaves sob demanda, fora da malha regular) tem sido puxado principalmente pela indústria automotiva e pelo transporte de itens perecíveis, ambos com alta demanda por entregas urgentes. “O custo de parar uma linha de produção é muito maior do que o de contratar um voo dedicado”, afirmou. Montadoras como Fiat e Hyundai estão entre os clientes atendidos, seja diretamente ou por meio de agentes de carga.
O avanço das importações de veículos e autopeças — impulsionado pela maior presença de montadoras estrangeiras no Brasil — também contribui para esse movimento. Ainda assim, segundo Bello, a urgência é uma característica estrutural do setor automotivo, independentemente da origem das empresas.
Capacidade cresce, mas expansão será gradual
Após ampliar em 50% a frota cargueira em 2025, passando de seis para nove aeronaves, a Gollog não prevê novas incorporações ao longo de 2026. A estratégia é absorver a capacidade já instalada antes de novos investimentos. A partir de 2027, a expansão deve ocorrer de forma gradual, acompanhando principalmente o crescimento do Mercado Livre. Segundo a diretora-geral da Gollog, está nos planos a compra de mais uma aeronave cargueira.
“A estratégia cargueira acompanha muito o crescimento do e-commerce”, disse Bello. Para este ano, a expectativa é de alta de cerca de 10%, apesar de um ambiente mais desafiador. “Janeiro e fevereiro vieram menos aquecidos, e o cenário geopolítico adiciona incertezas”. Segundo a executiva, esse investimento está ligado à promessa de entrega. Não é uma decisão puramente de aviação, mas de manter a experiência do cliente.”
Como parte da estratégia de crescimento, a companhia também aposta na expansão internacional. A Gol Linhas Aéreas passará a operar aeronaves de fuselagem larga (widebody), modelo Airbus A330, ampliando significativamente a capacidade de carga. Os novos voos terão como base o Rio de Janeiro, com rotas para Nova York (JFK), Paris (Charles de Gaulle), Lisboa e Orlando.
Segundo Bello, o porão dessas aeronaves pode transportar até três vezes mais carga do que os cargueiros narrowbody atualmente utilizados pela empresa, abrindo espaço para ampliar operações de importação e exportação. A estratégia será complementada pela atuação da ABSA Cargo, braço internacional do grupo, que já opera em cerca de 30 países.
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