A Intermodal South America 2026 abriu sua 30ª edição, em São Paulo, com um diagnóstico direto dos desafios da logística brasileira, combinando pressão por investimentos, custo operacional elevado e necessidade de ampliar a participação de modais mais eficientes.
Durante a cerimônia, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, chamou atenção para fatores que impactam diretamente o transporte de cargas, como o preço do diesel e mudanças regulatórias no mercado de trabalho.
“Esse é um combustível essencial, não conseguimos ficar sem. Pior do que a alta é a falta desse insumo”, afirmou. Segundo ele, a normalização dos preços depende do cenário internacional.
Costa também alertou para o impacto de uma possível redução da jornada de trabalho no setor. “Da forma como está sendo colocado, poderemos ter efeitos negativos no transporte de cargas nacional”, disse, citando a necessidade de contratação de mais de 240 mil trabalhadores para compensar a medida.
Concessões e investimentos no centro da agenda
O dirigente reforçou ainda a importância de manter o ritmo de concessões para ampliar a capacidade logística do país, especialmente em rodovias, ferrovias e hidrovias, além de destacar o potencial do transporte aquaviário como alternativa mais sustentável.
Na mesma linha, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou que o setor vive um momento de expansão, sustentado pelo aumento dos investimentos privados.
Segundo o ministro, foram registrados R$ 40 bilhões em aportes privados em portos nos últimos três anos, além de mais de R$ 3 bilhões em recursos públicos. “A confiança do mercado vem crescendo com responsabilidade no planejamento e na aplicação dos recursos”, afirmou.
O ministro destacou ainda a agenda de concessões como um dos principais motores do setor. Estão previstos 29 leilões portuários, sendo 15 até o fim do ano, além da ampliação do modelo aeroportuário.
“Vamos incorporar 12 aeroportos regionais à concessão do GRU Airport, equilibrando investimentos e ampliando a cobertura”, disse.
Mudança estrutural na logística
As falas reforçam um cenário de transição na logística brasileira, com maior protagonismo da iniciativa privada, avanço das concessões e necessidade de diversificação da matriz de transporte.
O evento também evidenciou o descompasso entre a demanda crescente por eficiência e os entraves estruturais ainda presentes, como custos elevados, dependência rodoviária e limitações de infraestrutura.
Com mais de 700 marcas expositoras e expectativa de público superior a 45 mil profissionais, a Intermodal se consolida como termômetro das transformações do setor — em um momento em que decisões regulatórias e investimentos passam a ter impacto direto sobre a competitividade logística do país.
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