O mercado de seguros para o transporte de cargas segue em expansão no Brasil, impulsionado pelo aumento dos sinistros, pela intensificação da fiscalização e por uma maior atenção das empresas à gestão de riscos.
As projeções indicam crescimento de 6,6% em 2026, após um avanço estimado de 11,5% em 2025. Ainda assim, o aumento do volume contratado não tem sido acompanhado, necessariamente, por maior maturidade técnica na estruturação das apólices.
A avaliação é de João Paulo Barbosa, especialista em seguro de cargas e sócio-diretor da Mundo Seguro, corretora especializada no segmento. Segundo ele, muitas empresas contratam seguros sem uma análise aprofundada das reais exposições da operação.
“Muitas empresas que contratam o seguro fazem isso sem estratégia técnica. O problema é que o seguro só mostra suas falhas quando ocorre um sinistro, e aí o prejuízo já está instalado”, afirma.
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Revisão anual como ponto de partida
Entre os principais indícios de que a proteção pode estar inadequada, Barbosa destaca a ausência de revisão periódica da apólice. De acordo com o executivo, quando o contrato não é reavaliado ao menos uma vez por ano, deixa de refletir mudanças relevantes na operação, como alterações de rotas, perfil de clientes, tipo de mercadoria transportada ou aumento do valor das cargas.
“Sem essa atualização, a empresa pode enfrentar restrições de cobertura, indenizações reduzidas ou até negativa de pagamento em caso de sinistro”, explica.
Riscos climáticos ganham peso nas operações
Outro ponto sensível é a cobertura para eventos climáticos. Com a maior frequência e intensidade de enchentes, alagamentos e deslizamentos, a ausência de proteção específica para esses riscos tem se tornado crítica.
Segundo Barbosa, nem todas as apólices contemplam automaticamente esse tipo de dano. Em muitos casos, há exclusões, limites restritivos ou necessidade de contratação adicional, o que costuma surpreender o segurado no momento do sinistro.
Cláusulas operacionais e exclusões pouco conhecidas
O desconhecimento das cláusulas contratuais e das exclusões previstas na apólice também fragiliza a proteção. Muitas coberturas estão condicionadas ao cumprimento de exigências operacionais, como uso de rastreadores homologados, definição prévia de rotas, restrições de horários ou adoção de protocolos específicos de segurança.
Quando essas condições não são plenamente compreendidas pela gestão, o risco de descumprimento aumenta — e, com ele, a possibilidade de negativa de indenização.
Preço baixo pode gerar falsa economia
Para o especialista, a contratação do seguro com foco exclusivo no menor preço é um dos erros mais recorrentes. “Sem uma análise técnica adequada, o seguro pode até existir no papel, mas falhar justamente quando a empresa mais precisa dele”, afirma Barbosa.
Na avaliação do executivo, empresas que adotam uma postura preventiva, com revisão periódica das apólices, análise técnica de risco e alinhamento entre operação e cobertura, tendem a reduzir prejuízos silenciosos e ganhar eficiência financeira no médio e longo prazos.
“O custo de um seguro mal estruturado quase sempre é maior do que o investimento em uma proteção bem feita”, conclui.
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