Iveco direciona estratégia de caminhões a gás para a Argentina

A reserva de gás e petróleo, Vaca Muerta, impulsiona mercado argentino e torna país prioridade para essa tecnologia

Aline Feltrin

Apesar do interesse crescente do setor em combustíveis alternativos, o avanço da Iveco em veículos a gás segue caminhos distintos na América Latina. No Brasil, a falta de infraestrutura trava a expansão, segundo avalia o presidente da companhia, Marcio Querichelli. Na Argentina, o cenário é oposto: o país se consolida como o mercado mais maduro para gás natural veicular, tornando-se o principal destino da estratégia da montadora.

A Iveco já tem aproximadamente 28 unidades vendidas do S-Way a gás no Brasil e algumas em operação assistida, o que significa um passo após testes em clientes, mas decidiu redirecionar grande parte do esforço tecnológico para o mercado argentino. “A Argentina cresceu mais de 50% no ano, tem condições mais favoráveis e é rentável para nós”, explica o presidente da Iveco.

O país vizinho se apoia na força de Vaca Muerta, que estimula a substituição do diesel. A reserva, localizada na província de Neuquén, na Patagônia argentina, foi descoberta em 2010 e estima-se que possua a segunda maior jazida de gás de xisto global e a quarta de petróleo não convencional. Esse recurso energético tornou-se central na estratégia econômica da Argentina, especialmente após a construção do gasoduto Néstor Kirchner.

A Iveco já opera com gás no mercado argentino desde 2019 e mantém vendas importantes. Segundo Querichelli, a frota de caminhões a gás na Argentina é de duas mil unidades.

Na visão de Querichelli, no Brasil o cenário é bem mais lento. O país não possui corredores de abastecimento conectados e viáveis para operações de grande escala. “Hoje quem está fazendo volume em gás está subsidiando o veículo. E o valor de revenda ainda é uma incógnita, porque o ciclo completo do produto não existe por aqui”, analisa o executivo.

De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Brasil registrou a venda de 641 caminhões a gás nos primeiros onze meses de 2025, número semelhante ao do mesmo período do ano anterior. A Scania, marca sueca, segue liderando este segmento no país, com uma frota de 2.500 unidades em circulação desde 2019, quando iniciou sua estratégia de expansão nesse mercado. A montadora projeta fechar 2025 com a venda de 500 caminhões a gás, consolidando sua posição de liderança.

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