Consumo de biodiesel deve crescer 9% em 2025, aponta consultoria

O aumento no consumo de biodiesel nos próximos dois anos será impulsionado pela maior mistura de biodiesel ao diesel e pela forte demanda no mercado nacional

Redação

O preço médio do litro do diesel comum fechou maio a R$ 5,99 e o S-10 a R$ 6,09, ambos com redução de 0,33% na comparação com a primeira quinzena do mês

A StoneX, consultoria global de serviços financeiros, projeta novo avanço no mercado brasileiro de biodiesel nos próximos dois anos. As estimativas, divulgadas nesta semana, apontam que o consumo deve chegar a 9,8 milhões de metros cúbicos em 2025 — alta de 9% na comparação anual — e subir mais 6,4% em 2026, alcançando 10,5 milhões de m³ no cenário base.

Num cenário alternativo, que considera a adoção do B16 (mistura de 16% de biodiesel ao diesel fóssil) conforme diretriz do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o consumo poderia chegar a quase 11 milhões de m³ em 2026. A mudança adicionaria ainda cerca de 1 milhão de toneladas ao uso de óleo de soja.

As projeções refletem o bom momento do setor. Em outubro, as vendas de biodiesel atingiram 914 mil m³, recorde mensal segundo a ANP. De janeiro a outubro, foram comercializados 8,1 milhões de m³, alta de 6,7% ante igual período de 2024. A produção acompanha o ritmo, também somando cerca de 8,1 milhões de m³ no ano, avanço de 7,3%.

“O mercado de biodiesel tem mostrado desempenho sólido, impulsionado pela forte demanda por diesel B e pelo avanço consistente da produção”, afirma Leonardo Rossetti, analista de inteligência de mercado da StoneX. Segundo ele, a diferença entre o consumo de B14 e B15 deve continuar crescendo nos próximos resultados.

A consultoria pondera, porém, que a manutenção do cenário positivo depende do comportamento das próximas safras e da atividade econômica. Mesmo com expectativa de crescimento mais moderado do PIB em 2026, a adoção integral do B15 deve sustentar a demanda. No cenário pró-B16, a migração elevaria o consumo projetado em cerca de 1,2 milhão de m³.

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Mix de matérias-primas muda, com menos óleo de soja e mais sebo bovino

No 5º bimestre, o consumo de óleo de soja — principal matéria-prima do biodiesel — teve leve recuo. A StoneX estima 1,368 milhão de toneladas entre setembro e outubro, queda de 4,8% ante o bimestre anterior. Com isso, sua participação no mix caiu de 86,4% para 81,6%. O desempenho mais fraco levou a um ajuste marginal na projeção para o B16 em 2026, que passou de 9,0 para 8,9 milhões de toneladas.

Em sentido contrário, o uso de sebo bovino avançou de forma expressiva. Após uma média mensal de 45,8 mil toneladas até agosto, o volume cresceu para 76,5 mil toneladas em setembro e 86,9 mil toneladas em outubro, aumentando a participação da matéria-prima para 8,7% e 9,5%, respectivamente.

O movimento está ligado às tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos sobre a importação de sebo brasileiro, o que reduziu drasticamente as exportações — de uma média de 44 mil toneladas por mês para 27 mil em setembro e apenas 7,5 mil em outubro. Os EUA respondem por mais de 90% desses embarques.

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