Em nota emitida ontem à tarde, a montadora afirmou que tentou, sem sucesso, uma negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos, face às dificuldades enfrentadas pela queda de 45% em caminhões em 30% em chassis de ônibus. Segundo a Mercedes-Benz, a ociosidade na unidade é de 50%. Com excesso de 2.000 empregados, a empresa diz não ver possibilidade de retomada do mercado no próximo ano.
O sindicato vai reunir em assembléia os trabalhadores para discutir a decisão da Mercedes-Benz. Os metalúrgicos vinham se posicionando contra as demissões e não relutavam em aceitar redução dos salários em razão da crise econômica.
Abaixo, íntegra da nota emitida pela Mercedes-Benz.
“A Mercedes-Benz do Brasil esclarece que, antes de oficializar as demissões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) semana passada, tem adotado desde o início de 2014 várias medidas para tentar gerenciar o excesso de pessoas frente à drástica queda nas vendas de caminhões e ônibus no mercado brasileiro, como banco de horas, semanas curtas, férias e folgas coletivas, licenças remuneradas e várias oportunidades de desligamento voluntário – PDV, acordadas com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e os funcionários;
Além dessas medidas, na tentativa de preservar os postos de trabalho dos funcionários, a empresa concedeu cerca de dois meses de licença remunerada (maio e junho 2014) e adotou mecanismos de lay-offs da seguinte forma:
- Julho a Novembro de 2014 – despesas suportadas entre a Mercedes-Benz e o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador);
- Dezembro de 2014 a setembro de 2015 – custos integralmente assumidos pela Empresa;
- Durante os Lay-offs, por mais de um ano e meio e sem a contrapartida de trabalho, os empregados tiveram salários, benefícios e qualificação profissional assegurados pela Mercedes-Benz do Brasil.
O gerenciamento do excedente de pessoas desde 2014 gera à empresa custos elevados que não podem mais ser suportados devido ao agravamento da crise econômica e à queda de vendas;
Como consequência, a ociosidade na fábrica, que hoje já é de quase 50%, aumenta a cada dia, elevando o excedente de pessoal para mais de 2 mil trabalhadores;
Nos últimos meses, a Mercedes-Benz do Brasil discutiu intensamente com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e, mais uma vez na semana passada, buscou formas de solução que viabilizasse a adoção do PPE e de outras medidas para evitar demissões na fábrica;
A Companhia foi bastante transparente com o Sindicato e os funcionários, mostrando que a adoção isolada do PPE não será suficiente para continuar a administrar o contínuo excesso de pessoas na unidade;
No acumulado do ano, a queda de vendas de caminhões é de quase 45% e a de ônibus é de quase 30% em comparação ao mesmo período de 2014;
Lembrando que as expectativas de vendas para o mercado em 2016 são negativas e não existe nenhuma previsão de recuperação no próximo ano;
Diante de todos esses fatos, a Empresa tentou junto ao sindicato alternativas que pudessem minimizar os efeitos da crise e garantissem à fábrica do ABC paulista a estabilidade de emprego até agosto de 2016;
Colocamos claramente ao sindicato que, além do PPE, são necessárias outras medidas de contenção de custos de pessoal, como a reposição parcial da inflação no próximo ano, entre outras medidas para enfrentar a crise econômica e continuar a gerenciar o excesso de pessoas na fábrica;
O Sindicato, que é responsável pelo encaminhamento de todas as propostas discutidas com a empresa aos funcionários, não concordou em realizar uma nova votação, alegando que esta é similar àquela rejeitada pela maioria (74%) dos funcionários recentemente. Por essa razão, segundo a entidade, a mesma não seria apresentada novamente aos colaboradores;
A Empresa entende que é necessário refletir sobre o atual momento e ter a disposição de aceitar sacrifícios mútuos para manter postos de trabalho diante da crise econômica atual no País;
Diante da ausência de qualquer outra alternativa e considerando o atual impasse das negociações, a empresa oficializou as demissões, que acontecem a partir de 1 de setembro;
Reiteramos que a companhia já tinha destacado essa necessidade nas últimas semanas, caso não encontrasse uma solução em conjunto com o sindicato.”
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