De acordo com as informações da ANPTrilhos, o estudo mostra que em 2014 o setor metroferroviário brasileiro chegou próximo ao limite da sobrecarga de passageiros, ao ver desacelerar a evolução do número de pessoas transportadas.
Os dados também concluem que a expansão da rede metroferroviária nacional segue em ritmo lento, tanto que foram construídas em 2014 apenas 30 quilômetros de novas linhas férreas para passageiro, um crescimento de apenas 3% em quilometragem de novos trilhos.
“A sobrecarga dos sistemas metroferroviários, que observamos, tem sido indicada por nossa associação nos últimos anos: o Brasil precisa aperfeiçoar suas políticas voltadas tanto à expansão quanto à modernização deste transporte público – e com urgência. Afinal, os sistemas sobre trilhos transportam 9,8 milhões de passageiros diariamente”, afirma Roberta Marchesi, superintendente da ANPTrilhos.
A executiva destacou os impactos da tarifa de energia elétrica e da política de desoneração da folha de pagamento no custo do transporte. “São dois impactos significantes sobre os custos da operação metroferroviária, o que desequilibra sensivelmente o balanço entre despesas e receitas. Os operadores precisam ter fôlego financeiro para investir em manutenção e modernização dos sistemas sobre trilhos, que já estão sobrecarregados, como mostra o balanço anual do setor”, afirma Roberta. Ela ressalta que os operadores metroferroviários passaram a ter que arcar com aumento real de 95% na conta de energia elétrica nos últimos cinco meses, sem a correspondente compensação de receitas. É algo extremamente preocupante”, diz a executiva. “É preciso equacionar esse desequilíbrio urgentemente”, acrescenta.
A ANPTrilhos finalizou o documento setorial com diversas propostas e análises técnicas, que têm por objetivo embasar futuras políticas públicas. “Esta agenda de projetos e propostas será entregue aos poderes Executivo e Legislativo, agora em abril, como forma de contribuição dos operadores metroferroviários às autoridades responsáveis pela formulação das políticas públicas de transporte”, disse Roberta.
“Embora devamos reconhecer os esforços dos governos em direcionar recursos financeiros para a expansão dos sistemas sobre trilhos, infelizmente, não é suficiente; é preciso mudar a legislação, desenvolver projetos consistentes, sustentáveis, que levem em conta na fase de planejamento a expectativa de crescimento do país décadas à frente, bem como estabeleçam a garantia do equilíbrio econômico-financeiro para que os operadores públicos e privados possam investir na melhoria contínua da qualidade da prestação dos serviços aos cidadãos”, acrescentou a superintendente.
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