A inteligência artificial generativa começa a avançar sobre uma nova etapa da digitalização das frotas: a consulta e análise dos dados operacionais. Em vez de procurar informações em relatórios e diferentes telas dos sistemas de gestão, ferramentas baseadas em agentes de IA começam a permitir que o usuário faça perguntas diretamente à plataforma.
A Gestran é uma das empresas que passam a adotar esse modelo no Brasil. A companhia incorporou ao seu sistema de gestão de frotas um agente capaz de responder, em linguagem natural, perguntas sobre custos, manutenção, consumo de combustível, quilometragem e utilização dos veículos.
Na prática, um gestor pode perguntar quais foram os cinco veículos com maior custo em determinado período e, a partir da resposta, investigar quanto cada unidade rodou, o custo por quilômetro, o número de ordens de serviço ou os gastos com peças e combustível.
A mudança está menos na quantidade de informações disponíveis do que na forma de acessá-las. Sistemas de gestão já concentram grandes volumes de dados sobre abastecimento, manutenção, pneus, documentos e utilização dos veículos. Com a IA generativa, a tentativa é reduzir a necessidade de montar consultas e cruzar manualmente essas informações.
A ferramenta da Gestran, chamada Gi, trabalha sobre os registros existentes no sistema e pode apresentar os resultados em texto ou gráficos, além de permitir a exportação para Excel e CSV. O agente, entretanto, não executa ações: não altera dados, abre ordens de serviço nem determina intervenções na frota.
Essa separação entre análise e execução é relevante em um momento em que a adoção de agentes autônomos ainda encontra resistência dentro das empresas. Pesquisa da Live University/Inbrasc citada pela Gestran aponta que, embora 88% das empresas pesquisadas no Brasil já utilizem IA generativa, apenas 14% estariam em estágio avançado no uso de agentes para análises e previsões.
Levantamento da PwC com executivos de operações e supply chain aponta outro gargalo. Embora 83% dos entrevistados vejam potencial nos agentes de IA e na automação para conectar diferentes áreas da operação, apenas 27% dizem possuir uma estratégia de inteligência artificial totalmente integrada às unidades do negócio.
A qualidade dos dados também aparece como obstáculo: 87% dos executivos ouvidos pela PwC apontam esse fator como uma limitação para iniciativas digitais.
Para a gestão de frotas, essa questão é particularmente relevante. Uma resposta produzida pela inteligência artificial depende da qualidade e da atualização dos registros de abastecimento, manutenção, quilometragem e demais informações operacionais que alimentam o sistema.
“A mudança principal não está na coleta de dados; isso o setor já fazia. Está na velocidade entre ter uma pergunta e ter uma resposta confiável”, afirma Paulo Raymundi, CEO da Gestran.
A chegada desses agentes, portanto, não elimina a decisão humana sobre a operação. No caso da ferramenta da Gestran, cabe ao gestor avaliar os dados apresentados e decidir, por exemplo, se antecipa uma manutenção, altera a programação ou retira determinado veículo de circulação.
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