Carga ferroviária cresce 25% no TCP em Paranaguá

Terminal prevê crescer 5% em 2026 e entregará primeira etapa da expansão para contêineres refrigerados ainda neste ano

Valeria Bursztein

A movimentação de cargas cheias por ferrovia no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), no Paraná, cresceu 25% entre janeiro e setembro de 2026, enquanto o número de encostes de trens aumentou 3%. O volume transportado passou de 964 mil para 1,210 milhão de toneladas. Segundo a empresa, aproximadamente 19% da tonelagem exportada pelo terminal chega pelo modal ferroviário.

O avanço ocorreu com aumento do número de contêineres transportados e manutenção do perfil das mercadorias. A ferrovia atende principalmente às exportações de carne de frango congelada, proveniente das regiões de Cambé e Cascavel, no Norte e Oeste do Paraná, e de papel e celulose, da região de Ortigueira.

Em resposta à Agência Transporte Moderno, por meio de nota, o TCP atribuiu o avanço da tonelagem ferroviária ao aumento do número de contêineres transportados pelo modal. A empresa não detalhou, porém, se houve mais vagões por composição ou maior ocupação. Entre janeiro e setembro, o terminal registrou 1.010 encostes de trens.

A participação ferroviária de cerca de 19%, informada pela companhia, considera as 1,210 milhão de toneladas de cargas cheias transportadas pelo modal em relação às 6,363 milhões de toneladas exportadas pelo terminal no período. As exportações totais cresceram 6% sobre os primeiros nove meses de 2025.

Expansão para refrigerados terá entrega neste ano

O crescimento das exportações de carnes ocorre em paralelo à ampliação da infraestrutura para contêineres refrigerados. Em resposta à Agência Transporte Moderno, o TCP informou que entregará 220 novas tomadas ainda em 2026, elevando a capacidade do pátio de 5.280 para 5.500 pontos de conexão.

A segunda etapa levará o total a 6 mil tomadas até o fim de 2027. A expansão completa representa um acréscimo de aproximadamente 14% sobre a estrutura atual. A companhia não divulgou o investimento e não informou a ocupação média do pátio nem sua utilização nos períodos de pico.

Entre janeiro e setembro, as exportações de carnes e congelados somaram 2,973 milhões de toneladas, alta de 8% sobre igual período de 2025. O segmento respondeu por cerca de 47% da tonelagem exportada pela TCP. A movimentação de contêineres refrigerados cresceu 6%, para 112.315 unidades.

“Os exportadores estão aproveitando ao máximo a infraestrutura para armazenagem de carnes e congelados do Terminal”, afirma Fabio Mattos, gerente comercial da TCP.

Frango impulsiona embarques

Os dados detalhados por proteína, fornecidos pela empresa, abrangem janeiro a agosto. Nesse intervalo, as exportações de carne de frango aumentaram 18%, de 1,651 milhão para 1,954 milhão de toneladas. China, Emirados Árabes Unidos e África do Sul foram os principais destinos, com participações de 10%, 9% e 8%, respectivamente.

Os embarques de carne bovina permaneceram estáveis, em 472 mil toneladas. A China recebeu 41% do volume, seguida pelos Estados Unidos, com 14%, e pela Rússia, com 8%.

Já as exportações de carne suína cresceram 44%, de 18,2 mil para 26,3 mil toneladas. Apesar do avanço percentual mais elevado, o volume permaneceu inferior ao das demais proteínas. Filipinas, Costa do Marfim e Libéria foram os principais mercados compradores.

Além das carnes, as exportações de madeira e produtos florestais cresceram 6% entre janeiro e setembro, para 1,064 milhão de toneladas. Os embarques de papel e celulose avançaram 10%, somando 824 mil toneladas.

Transbordos contribuíram para recorde mensal

Em setembro, o TCP movimentou 152.347 TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés —, recorde mensal do terminal. O resultado superou em 2,5% a máxima anterior, de 148.690 TEUs, registrada em outubro de 2025.

Segundo a companhia, o desempenho refletiu o aumento dos embarques de carnes e congelados, madeira, papel e celulose, além do crescimento dos desembarques de bens de consumo na comparação com setembro do ano passado.

Nas importações, a tonelagem de cargas cheias aumentou 5% no acumulado até setembro, para 2,440 milhões de toneladas. Os bens de consumo tiveram crescimento de 17%, passando de 144 mil para 168 mil toneladas.

Também contribuíram para o recorde mensal cargas de transbordo captadas diante da alta ocupação e de fechamentos de barra em outros terminais da região. O TCP não informou quanto essas operações representaram no resultado de setembro.

A empresa apontou ainda o aumento de produtividade e o maior aproveitamento do calado operacional de 13,30 metros, homologado em novembro de 2025, entre os fatores que favoreceram a movimentação.

Setembro teve outras duas máximas: 488 transações de contêineres pela ferrovia no dia 17 e movimentação geral de 10.640 TEUs no dia 21.

No acumulado de janeiro a setembro, o TCP movimentou 1,279 milhão de TEUs, cerca de 4% acima dos 1,228 milhão registrados em igual período de 2025. A companhia projeta encerrar 2026 com crescimento de 5% na movimentação.

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