Medicamentos entram na mira e mudam perfil do roubo de cargas

Segundo levantamento da nstech, os medicamentos responderam por 19% dos prejuízos com roubo de cargas no primeiro semestre de 2026

Redação

Os medicamentos ganharam espaço entre os principais alvos do roubo de cargas no Brasil, em um movimento que acompanha a mudança no perfil das mercadorias procuradas pelo crime organizado. Produtos de alto valor agregado, menores e com facilidade de revenda passaram a atrair mais os criminosos.

Segundo levantamento da nstech, os medicamentos responderam por 19% dos prejuízos com roubo de cargas no primeiro semestre de 2026, ante 2,8% no mesmo período de 2025. Com isso, a categoria passou da sexta para a terceira posição no ranking nacional. Em São Paulo, a participação chegou a 37,7% das perdas e colocou os produtos farmacêuticos na liderança.

O avanço também aparece em medicamentos análogos ao GLP-1. Levantamento do JOTA com dados da Anvisa identificou 24 casos de roubo, furto ou extravio desses produtos entre 2024 e junho de 2026. Segundo o levantamento, 18 ocorrências aconteceram nos 12 meses anteriores.

O risco também vem se deslocando para dentro das cidades. No primeiro semestre de 2026, as vias urbanas concentraram 39,6% dos prejuízos com roubo de cargas, quase o dobro da participação registrada no mesmo período de 2025.

A mudança amplia a preocupação para além das grandes rodovias. Farmácias, distribuidoras, centros de distribuição e operações de entrega urbana também entram no mapa de risco.

Outro fator que ganhou importância é o acesso às informações sobre as cargas. Em julho, uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra uma quadrilha especializada no roubo de medicamentos apontou, segundo as investigações, o aliciamento de funcionários de transportadoras para obter informações sobre rotas e cargas. A investigação também identificou o uso de empresas de fachada e intermediários para reinserir os produtos no mercado.

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