O uso de inteligência artificial na fiscalização das rodovias concedidas de São Paulo está avançando, com sistemas capazes de identificar infrações como uso do celular ao volante e falta do cinto de segurança. Na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), um trecho de cinco quilômetros monitorado pela tecnologia registrou redução de 22% no número de sinistros e de 80% nas ocorrências com vítimas graves ou fatais em julho e agosto deste ano, na comparação com igual período de 2025.
Segundo o governo de São Paulo, foram registrados 67 sinistros entre os km 15 e 20 da rodovia nos dois meses, ante 86 no mesmo intervalo do ano passado. As ocorrências com vítimas graves ou fatais caíram de cinco para uma. Os números mostram a evolução registrada no trecho, embora, isoladamente, não permitam atribuir a redução exclusivamente ao uso das câmeras inteligentes.
As autuações com apoio da nova tecnologia começaram em 3 de agosto, após três meses de testes e calibração. Desde então, a Polícia Militar Rodoviária contabilizou 2.316 infrações detectadas pelos equipamentos, sendo 1.386 relacionadas à falta do cinto de segurança e 930 ao uso do celular ao volante — média de cerca de 75 registros por dia.
Na Raposo Tavares, duas câmeras com inteligência artificial operam nos km 17 e 18. As imagens de possíveis infrações são encaminhadas às autoridades para análise, e a eventual autuação continua sob responsabilidade dos órgãos de policiamento rodoviário.
O monitoramento do trecho inclui ainda 48 câmeras e duas viaturas equipadas com videomonitoramento em tempo real. A previsão é acrescentar outras 177 câmeras ao sistema até o fim de outubro.
Outra tecnologia em implantação é o Sistema Analisador de Tráfego (SAT), que permite contar, pesar e classificar veículos, além de registrar a velocidade média. Os dados podem ser utilizados no planejamento operacional e no gerenciamento do tráfego.
Monitoramento se espalha pelas concessões
O emprego de câmeras e softwares inteligentes está sendo ampliado gradualmente nas rodovias concedidas paulistas. Contratos mais recentes já preveem sistemas desse tipo em trechos da Grande São Paulo, Interior e Litoral.
Há equipamentos com inteligência artificial em corredores como Anhanguera (SP-330), Cândido Portinari (SP-334), Antônio Machado Sant’Anna (SP-255), Rodoanel Mário Covas (SP-021), D. Pedro I (SP-065) e Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340), entre outros.
Segundo o governo paulista, mais de 1.200 câmeras inteligentes já estão instaladas em diferentes rodovias concedidas do Estado. Além da fiscalização de condutas de risco, os sistemas são utilizados para apoiar a operação das vias e fornecer dados sobre o tráfego.
Eu publicaria assim na Agência. O principal ganho em relação ao PR é não assumir automaticamente a narrativa de que “a IA reduziu as mortes”. Há uma coincidência temporal relevante — queda de 80% nas ocorrências graves ou fatais —, mas são apenas dois meses de comparação e números absolutos pequenos (de cinco para uma ocorrência). A formulação acima preserva o dado forte sem estabelecer uma relação causal que o material não comprova.
Também tirei boa parte da longa enumeração de rodovias. Para o leitor de transporte, o que interessa é a escala da adoção da tecnologia — mais de 1.200 câmeras —, o tipo de fiscalização e os primeiros resultados observados na Raposo.
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