OceanPact pode triplicar área no Porto do Açu

Expansão prevê até 132 mil m² e 300 metros de cais privativo em meio à renovação da frota de apoio marítimo e à entrada de novos sistemas de produção de petróleo no Brasil

Valeria Bursztein

Expansão prevê até 132 mil m² e 300 metros de cais privativo em momento de aumento da escala da companhia e da demanda por serviços offshore

A OceanPact poderá praticamente triplicar a área ocupada no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), para ampliar sua capacidade de atendimento às operações marítimas e offshore. A empresa, instalada no complexo desde 2014, ocupa atualmente 45 mil m² e terá outros 27 mil m² disponibilizados de imediato, elevando sua área para 72 mil m².

A expansão faz parte de uma carta de intenções (LOI) assinada esta semana entre a OceanPact e o Porto do Açu, durante a ROG.e, evento do setor de energia promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), no Rio de Janeiro. O documento também assegura à companhia direito de preferência sobre outros 60 mil m². Caso toda essa área seja incorporada, a base poderá alcançar 132 mil m², quase três vezes sua dimensão atual.

O projeto contempla ainda aproximadamente 100 metros de acesso ao canal e a possibilidade de implantação de até 300 metros de cais privativo para atendimento de embarcações de apoio e serviços offshore.

O movimento ocorre poucos dias depois da conclusão da combinação de negócios entre OceanPact e CBO, aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Concluída em 16 de setembro, a operação levou a área de navegação a adotar a marca OceanPact CBO e ampliou a escala de atuação do grupo no mercado marítimo brasileiro.

Segundo a companhia, o grupo combinado reúne uma frota de 70 embarcações, mais de 5 mil funcionários, receita anual superior a R$ 4 bilhões e carteira de contratos acima de R$ 14 bilhões.

Serviços marítimos e submarinos

A OceanPact atua principalmente na prestação de serviços marítimos para a indústria de petróleo e gás. As atividades incluem operações submarinas, proteção e resposta a emergências ambientais, logística marítima e serviços de engenharia.

Entre os trabalhos realizados estão inspeção, reparo e manutenção submarina, oceanografia, geofísica, apoio às operações offshore e atividades relacionadas ao descomissionamento de estruturas.

A empresa utiliza o Porto do Açu como base desde 2014 para operações de resposta a emergências ambientais, suporte marítimo e serviços subsea. A ampliação da área e a possibilidade de implantação de um cais próprio poderão aumentar a capacidade de concentração dessas atividades no complexo.

Offshore amplia demanda por embarcações

A expansão ocorre também em um cenário de renovação e aumento da demanda por embarcações de apoio à exploração e produção de petróleo no país.

O Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras prevê o afretamento de 40 novas embarcações de apoio, com custo de construção estimado em mais de US$ 4 bilhões. Estão previstas 12 embarcações de suprimento a plataformas (PSVs), dez unidades de resposta a derramamentos de óleo (OSRVs), 16 embarcações de apoio a operações submarinas (RSVs) e dois navios de manuseio de âncoras e reboque (AHTSs).

Parte desse movimento já chegou aos estaleiros. Em maio, a Petrobras assinou contratos que somam R$ 11 bilhões para construção, afretamento e prestação de serviços de quatro RSVs destinados a operações em águas profundas e ultraprofundas.

O planejamento da estatal também prevê oito novos sistemas de produção entre 2026 e 2030, além de outros projetos para os anos seguintes. A entrada de novas plataformas amplia a demanda por suprimentos, manutenção, serviços submarinos, resposta ambiental e apoio marítimo — segmentos nos quais a OceanPact atua.

Açu reforça base de apoio offshore

A localização do Porto do Açu, no Norte Fluminense e em frente à Bacia de Campos, tornou o complexo uma das principais bases logísticas para empresas ligadas à exploração e produção offshore.

O empreendimento reúne terminais e instalações destinados à movimentação de petróleo, minério de ferro e outras cargas, além de infraestrutura para embarcações e empresas prestadoras de serviços à indústria de óleo e gás. Segundo o porto, mais de 30% das exportações brasileiras de petróleo passam pelo complexo.

A possibilidade de implantação de até 300 metros de cais privativo é um dos pontos mais relevantes do projeto da OceanPact. A estrutura poderá ampliar a autonomia da companhia no atendimento de sua frota e das operações marítimas, embora detalhes como número de berços, capacidade simultânea de atracação e investimento previsto ainda não tenham sido divulgados.

Expansão depende de novos acordos

A carta de intenções estabelece as bases para a ampliação, mas não representa a contratação definitiva de toda a área projetada. Os 27 mil m² iniciais serão disponibilizados imediatamente, enquanto a incorporação dos outros 60 mil m² está vinculada ao direito de preferência previsto no acordo.

A implantação dos até 300 metros de cais também dependerá do avanço do projeto e de novos entendimentos entre as empresas. O comunicado não informa o investimento previsto nem o cronograma para a implantação da infraestrutura adicional.

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