A inteligência artificial deverá ampliar a capacidade das empresas de transporte de cargas de alterar rotas e fluxos em tempo real diante de congestionamentos, interrupções ou outras mudanças ao longo da cadeia de suprimentos. A perspectiva faz parte do estudo Mobility Reimagined Report 2026, elaborado pela Hitachi Rail a partir de entrevistas com 36 executivos, pesquisadores e especialistas internacionais em transporte e tecnologia.
Na visão dos participantes, o avanço da digitalização tende a transformar a movimentação de mercadorias em uma operação cada vez mais integrada, na qual rodovias, ferrovias e outros modais deixam de funcionar como sistemas isolados. A expectativa é de que inteligência artificial, sensores, infraestrutura conectada e sistemas autônomos permitam acompanhar e administrar os fluxos de ponta a ponta.
Uma das mudanças previstas é a utilização de IA e dos chamados sistemas agênticos — capazes de analisar informações e executar determinadas ações com maior autonomia — para administrar fluxos em tempo real. Na prática, transportadores poderiam redirecionar cargas dinamicamente de acordo com as condições encontradas em diferentes pontos da supply chain.
O conceito vai além da escolha da melhor rota. O estudo projeta maior integração entre procedimentos aduaneiros, trajetos multimodais e transferências de mercadorias entre diferentes meios de transporte e países. Sistemas eletrificados e conectados digitalmente também poderiam elevar velocidade, confiabilidade e rastreabilidade das cargas, além de ampliar a automação.
Cadeia passa a operar como sistema único
A transformação está associada a uma mudança mais ampla na maneira de administrar o transporte. Em vez de decisões tomadas separadamente em cada etapa, a visão para 2050 é de um sistema capaz de captar informações do ambiente, prever alterações e adaptar a operação entre diferentes modais praticamente em tempo real.
Sensores e tecnologias de Internet das Coisas (IoT) alimentariam continuamente os sistemas com informações do mundo físico. A chamada Physical AI, que combina inteligência artificial, sensores, ativos conectados e sistemas autônomos, poderia utilizar esses dados para coordenar diferentes meios de transporte, mantendo supervisão humana.
Os gêmeos digitais também aparecem entre as tecnologias apontadas pelos especialistas. Ao criar representações virtuais de ativos e redes físicas, esses sistemas permitem testar cenários antes de alterar uma operação real. Entre as aplicações citadas estão otimização de rotas, previsão de falhas e redução de interrupções.
Dayan Rodriguez, vice-presidente corporativo de Manufatura e Mobilidade da Microsoft, aponta a otimização de rotas e o uso de gêmeos digitais para antecipar problemas ferroviários entre as aplicações com potencial de impacto sobre o setor. Segundo ele, quanto maior a otimização das rotas, menor tende a ser o consumo de recursos.
Ferrovia ganha papel na integração
A ferrovia ocupa posição relevante nessa configuração. Entre as cinco principais conclusões do estudo está a expectativa de que o modal funcione como uma das bases dos sistemas integrados de transporte por sua capacidade de movimentar grandes volumes de pessoas e mercadorias.
No transporte ferroviário de cargas, a eletrificação combinada à digitalização poderá mudar até a operação dos vagões. Giorgio Travaini, diretor-executivo da Europe’s Rail, cita a possibilidade de desacoplamento automático e de conexões elétricas e de dados entre os vagões.
Segundo Travaini, essas tecnologias abririam caminho para trens de carga mais rápidos e equipamentos conectados, permitindo manutenção preditiva e maior rastreabilidade.
A maior digitalização, entretanto, amplia outro desafio. Quanto mais veículos, infraestrutura e sistemas de controle passam a trocar informações e tomar decisões de maneira automatizada, maior é a necessidade de proteção dos dados e das próprias operações. O relatório aponta a cibersegurança, a soberania dos dados, a regulação e a governança entre os fatores que podem determinar a velocidade dessa transformação.
Visão até 2050
O Mobility Reimagined Report 2026 não é uma pesquisa quantitativa nem uma previsão de que essas tecnologias estarão necessariamente disseminadas em 2050. O trabalho reúne perspectivas sobre possíveis caminhos para o transporte nas próximas décadas.
A pesquisa foi conduzida pela Savanta para a Hitachi Rail entre 14 de maio e 8 de julho de 2026. Foram realizadas entrevistas de 60 minutos com 36 lideranças de empresas de tecnologia e transporte, universidades, autoridades locais, associações setoriais, think tanks, companhias de infraestrutura e consultorias da América do Norte, Europa e Ásia.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



